Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Levy admite que 2016 deve ser menos favorável que o esperado pelo governo

Ministro da Fazenda voltou a dizer que a questão política tem criado grandes impactos na economia e demonstrou preocupação com o recesso do Congresso

Bernardo Caram, enviado especial , O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2015 | 12h09

Texto atualizado às 14h10

MACEIÓ - Após ter sinalizado a parlamentares que pode deixar o governo caso a meta de superávit primário para 2016 seja zerada, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse nesta sexta-feira, 11, que o ano que vem deve ser "menos favorável" que a expectativa do governo. "2016 talvez vai ser menos favorável do que a gente teria crido. A questão política é a que é, tem criado grandes impactos", afirmou em reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), em Maceió.

O ministro demonstrou preocupação com a aproximação do fim dos trabalhos no Congresso Nacional, que pode entrar em recesso sem a aprovação de medidas defendidas pelos governo. De acordo com Levy, projetos como o que aumenta o Imposto de Renda sobre ganhos de capital e o projeto que trata de juros sobre capital próprio seguem sem definição no Legislativo. 

Levy ponderou que algumas medidas avançam no Congresso, mesmo neste cenário difícil. "No meio de toda essa tempestade, a PEC que cria o fundo (de compensação do ICMS) foi protocolada. A repatriação (de recursos) também está avançando, apesar de todas as dificuldades", afirmou.

Sobre a previdência, o ministro disse que a presidente Dilma Rousseff já sinalizou ser favorável à idade mínima para aposentadoria, ideia fortemente defendida por Levy para promover segurança fiscal.

Diálogo. Em gravação transmitida na cerimônia de inauguração do Encontro Anual da Indústria Química (Enaiq), Levy salientou que o Brasil enfrenta um período desafiador, situação agravada por implicações políticas e dificuldades no âmbito econômico e que exige uma série de medidas como forma de resposta e de sustentação para a retomada do crescimento econômico.

Para "permitir que o mercado funcione como tem que funcionar", Levy defendeu o diálogo, a transparência e a definição de regras bem estabelecidas, medidas consideradas fundamentais para, ao lado do ajuste fiscal, garantir a confiança do empresariado. "Sabemos que, em havendo condições, o mercado responderá favoravelmente. Precisamos enfrentar os gargalos, como, por exemplo, é o caso da infraestrutura. Temos que trabalhar para que os investimentos privados sejam destravados", afirmou Levy.

Ao estabelecer as "condições de robustez fiscal mínimas", as quais passam pelo avanço de projetos no Congresso, o governo prevê garantir a retomada da economia, da demanda e da confiança, além da acomodação da taxa de juros. Como reação, o crédito também será retomado. "Se conseguirmos vencer os desafios que existem, e que estão no Congresso inclusive, para alcançarmos o Orçamento 2016 com elementos que deem tranquilidade a todo o País, tenho certeza de que a demanda vai voltar", disse Levy.

Com um cenário mais favorável, a prioridade do governo seria viabilizar reformas necessárias para o Brasil. "As reformas estruturais são fundamentais para que consigamos realmente pavimentar a trajetória de crescimento no Brasil", complementou Levy.

Inflação. Levy afirmou que a inflação deve iniciar uma trajetória de queda, depois de atingir em 12 meses uma alta de mais de 10%. Segundo ele, neste ano houve uma série de compensações que vinham se acumulando ao longo dos anos.

"A partir de setembro, com a incerteza em relação ao orçamento, a moeda estrangeira começou a ter uma certa evolução menos favorável", disse. "A partir de agosto, uma série de situações foi se desenvolvendo, com impacto na nossa capacidade fiscal para o ano que vem e começou a pressionar a inflação", completou.

(Com informações de André Magnabosco)

Mais conteúdo sobre:
Joaquim LevyEconomia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.