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Levy admite que conversa com Dilma sobre sua saída do governo

Após perder a batalha sobre a meta fiscal do ano que vem, ministro afirma que não quer criar constrangimento ao governo

Rachel Gamarski, Bernardo Caram, Adriana Fernandes e Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

18 Dezembro 2015 | 12h36

Enquanto não assume publicamente sua saída, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, admitiu que tem conversado com a presidente Dilma Rousseff sobre sua saída, mas que não quer criar constrangimento ao governo, mais uma vez se colocando como uma peça fora da equipe.

Após perder a batalha sobre a meta fiscal do ano que vem, Levy afirmou que seu "objetivo não é criar constrangimento ao governo, mas é importante saber quais são as prioridades, até em função das diversas demandas sobre a presidente e qualquer caminho é em função disso", numa referência clara ao processo de impeachment que virou prioridade no Palácio do Planalto e ajudou na decisão presidencial para a redução da meta fiscal e manutenção do Bolsa Família.

O ministro ligou o fim do ano legislativo a uma decisão sobre sua saída. "O ano legislativo se encerrou e isso abre tantas alternativas", disse.

Durante o café da manhã com jornalistas, Levy evitou entrar em confronto e contra-atacar áreas do governo que são contrárias à sua posição. "São especulações e eu trato como especulações", destacou. O ministro disse ainda ter clareza do seu ofício e que essas ações não interferem no seu trabalho. 

Impeachment. Sobre o apoio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) ao processo de impeachment da presidente, o ministro a relacionou ao apoio que a federação deu ao setor elétrico em 2012. De forma descontraída, como lhe é peculiar, afirmou que "é sempre importante ver quem paga o pato depois". 

Levy se mostrou descrente com a possibilidade de que a presidente Dilma Rousseff seja impedida de continuar o mandato. "Acho que a perspectiva de impeachment é pequena. As pessoas não querem mais incerteza", afirmou.

De acordo com Levy, é importante diminuir as incertezas no cenário atual. "As indicações de Brasília têm que ser de mais tranquilidade e que mostram rumo. Superando a incerteza política, nossa economia vai reagir muito bem", disse.

O ministro avaliou que a presidente tem bastante conhecimento do andamento da economia, mas "tem estado envolvida em outro processo que não tem natureza econômica", em referência ao debate sobre impeachment travado no Congresso. 

Balanço. Durante o encontro, Levy falou de suas ações em diversos momentos no passado, como uma espécie de balanço. Disse considerar muito importante reorganizar a economia com medidas estruturais e facilitar o pagamento de impostos. "Essa foi a natureza da nossa ação", afirmou. "Estivemos atentos a todos os setores, mesmo em momentos de desafio fiscal, respondemos aos setores para continuar crescendo." 

Levy defendeu um esforço maior em relação à inflação no ano que vem, e a adoção de ações estruturais para melhorar a transição da política monetária para a economia.

Para ele, a economia brasileira se recuperará de forma rápida. "Temos que botar o Brasil em uma base mais sólida, em que você tenha expansão da economia, empresas com vontade de investir e empregar e pessoas com vontade de fazer planos", afirmou.

O ministro disse que as incertezas políticas levaram à retração da atividade econômica, mas acredita que elas tenderão a se dissolver nos próximos meses e permitir a economia voltar. "Apesar de tudo o que está acontecendo em Brasília, as empresas estão encontrando seu caminho. Na medida em que tiver clareza e direcionamento, elas vão ter ainda mais capacidade", afirmou. "Se a quantidade de risco que você consegue suportar está toda ocupada com o risco de Brasília, sobra pouco para o risco individual que você vai tomar."

De linha liberal, o ministro defendeu que o papel do governo é "dar espaço para a economia ter fôlego". "Estamos trabalhando nas reformas que dão esse tipo de direcionamento", completou. 

O ministro destacou ainda que os Estados estão conseguindo superar desafios fiscais, fazendo esforços e cortando despesas e, apesar dos problemas listados, o ministro ressaltou que não se deve abrir espaço para o pessimismo. "Minha convicção é que a economia brasileira tem capacidade de se recuperar de forma rápida", afirmou.

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