Levy consegue acalmar comunidade financeira

Embora as preocupações com a economia brasileira continuem, medidas adotadas pelo ministro da Fazenda receberam elogios em evento do FMI

ALTAMIRO SILVA JUNIOR , DANIELA MILANESE, enviados especiais , O Estado de S.Paulo

20 Abril 2015 | 02h05

WASHINGTON - Apesar das persistentes preocupações com a economia do Brasil no cenário internacional, as medidas de ajuste adotadas recentemente trazem a visão de que os problemas estão sendo enfrentados e começam a acalmar a comunidade financeira no exterior. Essa foi a percepção captada durante a reunião de Primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI), encerrada neste domingo, 19, em Washington.

A receptividade melhora, sobretudo, em razão da presença do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, cortejado por investidores e participantes do encontro. O próprio FMI fez declarações de apoio à política econômica brasileira, embora aponte para os diversos desafios enfrentados atualmente.

"A política econômica que foi aplicada (no Brasil) é uma combinação de política fiscal séria com ancoragem de expectativas de médio prazo. O que vemos como resultado nas nossas previsões é um crescimento negativo neste ano se tornando positivo no ano que vem", afirmou a diretora-gerente do fundo, Christine Lagarde.

O Brasil vem adotando os ajustes necessários para lidar com o novo quadro econômico, avalia o Banco Mundial. "O Brasil está fazendo o que tem de fazer", disse o economista-chefe para América Latina e Caribe do órgão, Augusto de la Torre.

Entre os presentes ao encontro de Primavera, ficou visível a desenvoltura com a qual Levy circula em Washington, onde inclusive já atuou. Durante uma agenda carregada por reuniões com investidores e encontros bilaterais com ministros de diversos países, as medidas de ajuste fiscal adotadas em seu mandato receberam elogios. Para o economista-chefe do Itaú Unibanco, Ilan Goldfajn, o clima sobre o Brasil no exterior está mudando. "Não sabemos se é temporário ou permanente."

Apesar do aumento da disposição em relação ao Brasil, os problemas não deixaram de ser apontados. Ao contrário, alguns alertas foram significativos. O FMI voltou a reduzir as projeções de crescimento da economia brasileira e agora prevê contração de 1% este ano para o Produto Interno Bruto (PIB) e crescimento de 0,9% em 2016. Em janeiro, quando o Fundo divulgou suas últimas estimativas para a economia mundial, a expectativa era de que o Brasil fosse crescer 0,3% em 2015 e 1,5% no ano que vem. O Brasil teve o maior corte nas estimativas entre os principais países avançados e desenvolvidos.

Além disso, o FMI revisou para baixo a perspectiva de crescimento potencial do Brasil, que é quando o país cresce sem gerar inflação. A projeção caiu de 3% para 2,5% ao ano.

Política social. O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, destacou neste domingo, 19, no FMI, que o Brasil está tomando decisões difíceis e fazendo um ajuste das contas públicas de modo a garantir uma base para o crescimento. Questionado pela plateia sobre os efeitos da política fiscal para os mais pobres, Levy afirmou que a responsabilidade fiscal é uma proteção para as pessoas de baixa renda. Segundo o ministro, depois da crise de 2008, o Brasil adotou medidas anticíclicas que, em seguida, se esgotaram. "O País mudou para políticas menos acomodatícias", disse, durante o debate.

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