Ueslei Marcelino/Reuters
Ueslei Marcelino/Reuters

Levy defende reforma da Previdência como trampolim para investimentos em infraestrutura

Segundo presidente do BNDES, um dos motivos pelos quais o País precisa da reforma é para evitar que o Estado seja "enforcado pelas despesas obrigatórias"

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2019 | 11h40

RIO - O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Joaquim Levy, defendeu, nesta quinta-feira, 25, a reforma da Previdência como medida necessária para liberar recursos públicos para os investimentos em infraestrutura

Segundo Levy, um dos motivos pelos quais o País precisa da reforma previdenciária é para evitar que o Estado seja "enforcado pelas despesas obrigatórias". "Por que estamos fazendo reforma da Previdência? Para evitar que o dinheiro esteja bloqueado e o Estado, enforcado por despesas obrigatórias, sem recursos suficientes para investimento", afirmou.

O presidente do BNDES fez os comentários após fala do presidente executivo da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), Venilton Tadini, que cobrou previsibilidade e segurança jurídica para fomentar os investimentos privados em infraestrutura. 

Para Levy, Tadini "fez propaganda" da reforma da Previdência, ao cobrar por previsibilidade, porque a redução dos gastos com pensões e aposentadorias é importante para oferecer previsibilidade nas despesas do Estado no futuro.

Tadini também criticou o fato de que, no último ciclo de investimentos em infraestrutura, o País abriu mão do financiamento internacional, usando o repasse de recursos do Tesouro Nacional para o BNDES como fonte de financiamento. 

Segundo o presidente da Abdib, isso nunca havia ocorrido na história nacional, e no ciclo recente, havia capital abundante no exterior e o Brasil possuía nível elevado de reservas cambiais - o que acabaria por favorecer o financiamento externo para os investimentos em infraestrutura.

Sobre isso, Levy ponderou que "há limites" na substituição da poupança nacional pela externa, mas reconheceu que "há muito capital ao redor do mundo". "O que há são poucos projetos. Capital é abundante", disse Levy.

De acordo com o presidente do BNDES, o Brasil precisa aproveitar o momento atual, de capital abundante no mundo, com destino natural para infraestrutura. Isso porque muitos avanços tecnológicos na economia global não requerem investimento de capital, como no caso das empresas de tecnologia da informação.

"Temos que aproveitar esse momento para conseguir oferecer projetos, com previsibilidade e segurança jurídica, para esse capital (internacional)", disse Levy.

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