Levy destaca importância de desenvolver mercado de capitais

O secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy, afirmou hoje que o governo está interessado em incrementar os mercados de capitais e de concessão de crédito. Durante entrevista sobre a quarta revisão do acordo com o FMI, Levy aproveitou a oportunidade para comentar a preocupação do governo em aumentar o volume de negócios desses dois segmentos da economia. Para Levy, o desempenho das últimas semanas da Bolsa de Valores de São Paulo deve ser visto como um indicativo da importância de se desenvolver o mercado de capitais no Brasil. "Vamos continuar trabalhando para o desenvolvimento desse mercado que é importante para a redução do custo de investimento", disse. Mercado de créditoNo caso do mercado de crédito, Levy aposta que o desenvolvimento do Cadastro Positivo das Empresas - que está sendo elaborado pelo Banco Central - será fundamental para a redução dos custos das operações de financiamento. "O cadastro funcionará como um SPC positivo", disse Levy, citando o serviço de proteção ao crédito (SPC), que registra os "maus" pagadores. Nesse cadastro, as instituições financeiras terão acesso a um histórico de pagamentos de débitos contraídos por empresas. TeoriaNa avaliação do secretário do Tesouro Nacional, as ações do governo para o desenvolvimento dos mercados de capitais e concessão de crédito estão baseadas em teorias econômicas internacionais já consagradas, elaboradas por especialistas do porte de James Tobin e Joseph Stiglitz, ganhadores do prêmio nobel de economia. A preocupação do governo com o desenvolvimento do mercado de capitais estaria amparada na teoria de Tobin, que considera que o bom desempenho da bolsa de valores é uma antecipação do crescimento econômico, além de funcionar como impulso para o investimento. Essa teoria é conhecida como o "Q de Tobin". No caso do cadastro positivo de empresas, o trabalho do governo é respaldado pela teoria de Stiglitz, que defendeu na década de 80 a importância de uma maior simetria de informações entre os agentes econômicos. A teoria é conhecida como "a diminuição da assimetria de informações". "Se o banco não tiver informações claras sobre o tomador de empréstimo, não há taxa de juros de equilíbrio", disse Levy. Na avaliação do secretário, essas teorias estão espelhadas nas políticas macro e microeconômicas do País, o que gera também reflexos sobre os parâmetros definidos pelo governo no acordo com o FMI. "Não é que elas estejam no acordo, mas nossas políticas estão sendo conduzidas com base nessas políticas com maior lastro acadêmico", disse Levy.

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