Levy deve deixar o governo e ir para o BID

O secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy, figura chave da equipe do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, deve deixar o posto em breve para assumir a Gerência de Avaliação de Eficácia e Planejamento Estratégico do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em Washington. A informação sobre a próxima ida de Levy para o BID, confirmada ao Estado pela diretoria executiva do Brasil no banco e por fonte oficial em Brasília, mas ainda não anunciada oficialmente, é parte do remanejamento da alta hierarquia do BID iniciada nesta sexta-feira pelo novo presidente do BID, o colombiano Luiz Alberto Moreno. Moreno anunciou a escalação de sua equipe durante uma videconferência para os funcionários. Ele informou que o americano Ciro De Falco, ex-alto funcionário do Tesouro, que está há mais de 20 anos no banco, assumirá a vice-presidência executiva no lugar de Dennis Flannery. Trata-se da segunda posição do BID. O mexicano Carlos Jarque, que dirigia o Departamento de Desenvolvimento Sustentável, assumirá o igualmente importante cargo de secretário do BID. Para as gerências operacionais, que negociam empréstimos diretamente com os países, foram nomeados o argentino Manoel Rapaport (região 1, que inclui o Brasil e o Cone Sul), o chileno Máximo Jeria (região 2, que abrange México e América Central ) e a americana Alicia Ritchie (região 3, que lida com o Caribe, países andinos e os países do norte da América do Sul). A divisão das gerência operacional em três regiões foi feita numa reforma interna em 1994, imposta pelos Estados Ujnidos. Até então, o posto era cativo de um brasileiro. Seu último ocupante foi Paulo Renato de Souza, que seria depois ministro da Educação do governo de Fernando Henrique Cardoso. Após a reforma, o economista mineiro, Ricardo Santiago, passou ocupar a gerência mais importante, da região 1, que deixou recentemente para assumir o comando da da representação do BID na Europa, com sede em Paris. Controlador do cofre federal e principal executor da política fiscal do governo Lula, Levy foi da equipe do ex-ministro Pedro Malan, no governo de FHC, e teve um papel importante nas negociações da extensão do programa econômico com o Fundo Monetário Internacional em em sua condução nos dois primeiros anos da administração petista. Ele foi, na verdade, o principal interlocutor da Fazenda com o FMI, o Banco Mundial e o Tesouro americano até a nomeação de Luiz Pereira para a secretaria de assuntos internacionais, no ano passado. A decisão de Levy de trocar seu importante posto na Fazenda por uma gerência do BID deve alimentar as especulações sobre a longevidade da equipe de Palocci e sobre o rumo da política econômica no momento, por pelo menos duas razões. A primeira é o momento em que acontece, ou seja, quando o ministro da Fazenda atravessa seu momento mais difícil no governo, criticado internamente pela ministra chefe do gabinete presidencial, Dilma Roussef, e acusado de envolvimento em possíveis crimes eleitorais por ex-colaborados na prefeitura de Ribeirão Preto. A outra razão é o recúo hierárquico que o posto destinado a Levy no BID representa em relação ao que hoje ocupa. O diretor executivo do Brasil no BID, Rogério Studart, disse ao Estado que a gerência de Avaliação de Eficácia e Planejamento Estratégico "é muito importante". Segundo ele, as negociações para a transferência do alto funcionário da Fazenda para o BID já foram concluídas. Fonte do BID disse, no entanto, que "é prematuro" falar no assunto. O atual secretário executivo da Fazenda, Murilo Portugal, por exemplo, que foi secretário nacional do Tesouro na primeira parte do governo FHC, deixou o posto pela de diretor executivo do Fundo Monetário Internacional. Até agora, Joaquim Levy era citado entre os possíveis sucessores do brasileiro João Sayad na vice-presidência de Finanças e Administração da instituição. Uma fonte oficial brasileira disse que a ida de Levy para uma gerência pode ser um passo intermediário para sua elevação para a vice-presidência de Finanças e Administração, quando o cargo ficar vago. Trata-se de posto hieraquicamente superior ao de gerente mas que, na prática, permaneceu largamente figurativo desde que foi criado para abrigar um brasileiro, graças a um acordo negociado pelo governo FHC com o então presidente do BID, Enrique Iglesias, como uma forma de compensação pela perda que o País teve na reforma de 1994. Outro nome cotado para a posição é o do atual secretário internacional da Fazenda, Luiz Pereira. Sayad, que perdeu a eleição para a presidência do BID para Moreno, em julho passado, disse ao Estado que não pretende completar seu contrato de três anos como vice-presidente, iniciado começou em meados de 2004, e indicou que deixará o posto em breve, depois "de um tempinho". Nota da redação: texto alterado às 21h30

Agencia Estado,

11 Novembro 2005 | 17h18

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