Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Levy diz a empresários que o ajuste é necessário para 'trocar fiação' e ampliar competitividade

Sobre o rebaixamento do rating do Brasil, o ministro afirmou não haver espaço para descanso ou resignação ante a hipótese de uma nova revisão da nota para baixo

Ricardo Leopoldo e Francisco Carlos de Assis, O Estado de S. Paulo

13 de agosto de 2015 | 20h41

No esforço de mostrar a empresários que o governo tem uma agenda para o crescimento, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, se reuniu em São Paulo com 140 empresários de vários setores produtivos, em evento fechado à imprensa. O ministro ressaltou que a "troca de fiação" para melhorar a competitividade e a produtividade nacional requer que o ajuste das contas públicas continue. "Os problemas fiscais do País ainda permanecem", comentou o ministro.

Levy mostrou-se otimista com as perspectivas de evolução de economia do País e ressaltou que há a colaboração do Congresso para a aprovação de medidas que vão melhorar o ambiente de negócios, como a as reformas do ICMS e PIS Cofins, além da repatriação de recursos que estão no exterior. 

Levy se manifestou contrário à avaliação de agentes econômicos de que é certo que o Brasil perderá o grau de investimento em 6 ou 9 meses. "O Brasil é hoje grau de investimento", disse o ministro, afirmando que a nota soberana do País tem que subir e não cair, o que requer trabalho árduo da sociedade e do governo para que as condições econômicas se desenvolvam.

Na avaliação do ministro, não há espaço para descanso ou resignação ante a hipótese de um novo rebaixamento do País em 2016. O ministro também disse aos empresários que as concessões públicas em infraestrutura são um pilar muito importante para o aumento dos investimentos no País.

Depois da divulgação da "Agenda Brasil" com ações para a retomada do crescimento, o ministro tem aumentado a ofensiva na busca de apoio às medidas. Na terça-feira, Levy se reuniu com os presidentes dos dez maiores bancos do País. O encontro desta quinta-feira foi organizado pela Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH). Nesta sexta-feira, o ministro fará uma nova palestra para mil empresários em São Paulo, evento promovido pela Câmara Americana de Comércio (Amcham), no qual deverá também avaliará medidas que farão a economia do País se recuperar.

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'A gente não quer uma bagunça completa no fiscal, e sabe como evitar', disse Levy
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No Twitter, o presidente do Conselho de Administração da MRV Engenharia, Rubens Menin, postou que o apoio ao Levy é "unânime" no setor produtivo durante 'Fórum da ABRH'. "Ele é considerado a âncora de credibilidade do setor produtivo dentro do governo", postou o executivo. Segundo ele, o setor empresarial pode e deve contribuir muito para a melhoria da economia, mas o governo deve abrir espaço para "maior interação". Em um dos posts, Menin afirma que o consenso no 'Fórum da ABRH' é que o momento atual do País é difícil e vai exigir "esforços de todos" para contornar os problemas.

Sem bagunça. Durante painel no lançamento da Carta Aberta ao Brasil sobre Mudança do Clima, em evento promovido pelo Instituto Ethos, Levy disse que, apesar de algumas dificuldades durante o debate político, depois que se chega a um consenso no Brasil, sobre qualquer assunto, não se volta atrás. "Depois de um consenso, não se volta atrás. A inflação a gente aprendeu (como combater) há 20 anos, e hoje sabe como evitar. A gente não quer uma bagunça completa no fiscal, e sabe como evitar. A gente não quer degradação do meio ambiente, e sabe como evitar. A gente quer crescimento", afirmou.

Questionado pelo mediador sobre a Agenda Brasil, apresentada pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), que propõe inclusive uma aceleração na liberação de licenças ambientais, Levy lembrou que o governo divulgou o que chamou de "agenda de cooperação legislativa para o crescimento". "Ela mostra também um pouco do que já está sendo feito, não fala só da agenda do ajuste. E é exatamente isso que eu estou discutindo aqui, porque sei que (a questão ambiental) faz parte das reformas microeconômicas, estruturais, de um novo arranjo do Brasil para voltar a crescer", afirmou.

Ele disse que muitas vezes é cobrado para falar de projetos para além do ajuste fiscal, mas defendeu que o ajuste é econômico, uma "reengenharia" para que o Brasil possa entrar em uma nova fase. "É quase como se o século XXI começasse agora no Brasil, com uma economia diferente, com inovação, com mercados que estavam estruturados se alterando. Tudo isso é o que a gente vai enfrentar nos próximos cinco anos", explicou.

O ministro disse que é preciso debater as propostas "dentro do espírito democrático de criar equilíbrios". "Nem toda pauta a gente quer exatamente daquele jeito, mas é isso que vai permitir chegar a consensos para continuar avançando", reconheceu. (Colaborou Adriana Fernandes)

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