Sergio Moraes/Reuters
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Levy diz que eleição de Macri na Argentina coloca dinâmica favorável para o Brasil

Segundo o ministro, se o país se abrir ao comércio internacional, o Brasil pode ser favorecido; para o mercado, a vitória de Macri pode destravar acordos do Mercosul, mas ser um risco à soja pois aumento das vendas pode pressionar os preços

Daniela Amorim, Gustavo Porto, Idiana Tomazelli e Mariana Durão, O Estado de S. Paulo

23 de novembro de 2015 | 14h06

RIO - O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou que a eleição do oposicionista Mauricio Macri como sucessor de Cristina Kirchner na Presidência da Argentina traz uma "dinâmica favorável" para o Brasil. "Pela potencialidade do país, certamente muda um pouco a dinâmica se forem pelo caminho de um pouco mais de liberalismo econômico", afirmou o ministro durante o seminário "Reavaliação do Risco Brasil", promovido pelo Centro de Economia Mundial da Fundação Getulio Vargas (FGV), no Rio.

A eleição de Macri na Argentina, segundo Levy, ainda reforça a necessidade de o Brasil focar em aumento de produtividade e nos bens "tradables" (bens comercializáveis internacionalmente) diante da oportunidade de se beneficiar do novo cenário no país vizinho. Para isso, o País precisa passar por "mudanças institucionais e regulatórias". "Precisamos ter fôlego para crescer", disse o ministro.

Ainda do ponto de vista externo, uma vantagem das condições atuais da economia brasileira, destacou Levy, é que o endividamento externo é baixo, e o Brasil possui grande volume de reservas internacionais. "Não temos crise externa", afirmou. 

Otimismo. O diretor-executivo da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Luiz Cornacchioni, informou que a vitória de Macri na eleição presidencial da Argentina é positiva, principalmente pela intenção do político de ampliar o comércio externo do país. "Ele deve mexer na questão do Mercosul e destravar acordos, principalmente com a União Europeia, um desejo antigo do agronegócio brasileiro", afirmou.

Cornacchioni, no entanto, lembrou que a promessa de Macri de reduzir e até zerar a taxação de exportações de produtos agropecuários pode provocar impacto no curto prazo no mercado de soja. Com uma média de 30% de taxação sobre grãos, produtores argentinos passaram a estocar a oleaginosa, cotada em dólar, como uma forma de poupança cambial. "Há uma ameaça ao produtor, pois o aumento nas exportações de soja argentina pode pressionar o preço da commodity, que já não é tão alto", afirmou. "Mas o produtor brasileiro tem formas de se proteger e muitos já fizeram hedge para esta safra 2015/16", concluiu.

O presidente do Conselho Superior do Agronegócio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Cosag/Fiesp), João Sampaio, avaliou que a vitória de Macri deve favorecer futuros negócios da indústria brasileira de carnes naquele País. Segundo ele, o fim das "retenções" taxação média de 30% nas exportações argentinas, prometido por Macri, estimulará a retomada de plantas fechadas, bem como possíveis negócios das companhias.

Fontes do setor apontam que a Minerva Foods teria interesse em aquisições de unidades na Argentina, o Mafrig pretende vender plantas e ainda o JBS pode retomar processadoras paralisadas após as exportações serem prejudicadas pelas "retenções". Apesar de ter um status sanitário parecido com o Brasil e não agregar valor como o Uruguai - que exporta há tempos Estados Unidos e China -, a Argentina é vista como estratégica pelas companhias do setor por ter acesso a importantes mercados na Europa.

Para Sampaio, no geral, o agronegócio da Argentina deve retomar a competitividade internacional com o novo governo. "Se Macri seguir o que falou, vai mudar parte significativa da economia, ampliar as exportações com a eliminação das 'retenções' e melhorar a competitividade", afirmou o presidente do Cosag/Fiesp, que esteve reunido há uma semana com representantes do setor na Argentina e observou um clima "de euforia" entre os ruralistas com a iminente vitória de Macri, confirmada neste domingo.

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