Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

Levy diz que com Previdência, Brasil deve voltar ao grau de investimento

Presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) também afirmou que instituição pode atuar nas áreas de gás e combustíveis alternativos

Bárbara Nascimento e Francisco Carlos de Assis, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2019 | 14h19

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Joaquim Levy, afirmou nesta segunda-feira, 15, em evento do Lide que há uma “enorme convergência” por parte do presidente da República e do Congresso Nacional “para se chegar a uma solução positiva para a reforma da Previdência”. Caso ocorra a aprovação da matéria, segundo ele, há "muita chance" de o Brasil retomar o grau de investimento.

Com a aprovação da reforma, a tendência é a economia voltar a crescer e voltar a uma faixa de 3%, segundo Levy. Com isso, abriria-se uma trajetória positiva para o País. “Quando você começa a crescer e o setor industrial começa a girar, as receitas tributárias começam a subir e começamos a ter resultados fiscais melhores. E isso nos põe em trajetória em que fica mais fácil ter grau de investimento”, apontou.

A uma plateia de empresários, o presidente do BNDES disse que quanto mais rápido o Brasil conseguir “ter clareza sobre a Previdência”, mais fácil será de ter essa retomada. E fez um apelo: “Acho que vocês podem tomar esse passo porque eu tenho absoluta confiança de que a reforma será aprovada”, disse.

Segundo ele, muitos investidores ainda pensam qual é o momento de “dar um passo maior” e apontou que isso vai requerer que a reforma seja aprovada: “É o primeiro estágio, depois disso ficará muito mais fácil para fazer o resto”, disse.

Ele afirmou ainda que o governo tem “tudo para vencer os desafios” atuais. O presidente do BNDES completou que os juros em nível historicamente baixo dão ao banco condições de financiar o mercado e estimular a economia nos próximos meses.

Levy afirmou ainda que os bancos cooperativas têm tido um papel cada vez mais importante na questão do crédito no país, principalmente no acesso por pequenas e médias empresas.

Combustíveis alternativos

O presidente do banco de fomento também afirmou que, após leilões bem sucedidos em diversas áreas, o Brasil prepara agora uma nova carteira de ativos, com foco na distribuição de gás natural.

“Hoje o investimento na área de distribuição de gás é uma das prioridades”, disse. Ele citou que hoje há um monopólio natural na distribuição do gás. “Se conseguirmos abrir esse mercado há inúmeras oportunidades. A produção do gás no pré-sal só vai crescer mais se você aumentar a demanda. E só vai conseguir fazer isso se a distribuição do gás for mais barata”, completou.

Ele destacou que as experiências recentes mostram que há demanda tanto nacional quanto internacional pelos ativos na área de infraestrutura brasileiros. Citou, por exemplo, os leilões da Ferrovia Norte-Sul, de aeroportos e a venda da Tag. Segundo ele, o banco espera que, nas próximas semanas, seja divulgada uma nova rodada de projetos no âmbito do PPI. Ele ainda citou que o BNDES fará investimentos na área de energia eólica e solar.

Projetos de infraestrutura

Levy também afirmou que o Brasil tem condições de pensar em projetos mais ambiciosos na área de infraestrutura. Ele citou, por exemplo, um projeto ferroviário de alta velocidade para conectar os aeroportos de São Paulo à cidade.

Segundo ele, hoje há capacidade de mobilizar poupança doméstica e externa para tocar esse tipo de projeto. “Quando a gente fala de infraestrutura, na situação que hoje o País está, de conta corrente equilibrada, inflação baixa, dá para pensar em projetos com um pouco mais de ambição. Que em qualquer outro país seriam considerados naturais”, disse.

Ele também afirmou que a instituição avalia usar parte de seu balanço para financiar operações de proteção (hedge) aos projetos de financiamento de obras em infraestrutura.

De acordo com presidente do banco de fomento, há uma preocupação das instituições em não entrar em projetos que submetam o BNDES a riscos desnecessários. Por isso, disse Levy, o BNDES está conversando com o Banco Central (BC) sobre este possível projeto para financiar proteção aos investimentos em infraestrutura.

Levy disse ainda que o BNDES está fazendo um novo esforço para financiar os “projetos garagens”. O Banco, de acordo com ele, fez um chamamento recente para dar apoio a pelo menos 300 startups que se mostrarem viáveis.

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