Paul Hackett/Reuters
Paul Hackett/Reuters

Levy diz que nova meta fiscal é resultado da 'arrumação da casa'

O ministro da Fazenda argumentou que o governo está quitando dívidas pendentes e a estratégia agora 'não é só gastar dinheiro para fomentar a economia'

Fernando Nakagawa, correspondente, O Estado de S. Paulo

29 de outubro de 2015 | 15h29

LONDRES - O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, comentou, em entrevista coletiva na Embaixada do Brasil em Londres, que a nova meta fiscal divulgada esta semana é resultado da "arrumação da casa" feita pela equipe econômica. "A gente está botando a casa em ordem, e quando se coloca a casa em ordem aparecem números muito grandes", disse. O ministro argumentou que o governo está quitando dívidas pendentes e a estratégia agora "não é só gastar dinheiro para fomentar a economia".  

"Parte do resultado deste ano vai ser afetado pelas despesas dos anos anteriores, mas a gente está virando a página de uma maneira muito responsável", disse o ministro. "A gente tem mudado a maneira de conduzir a política, até pela mudança do ambiente global, para tentar estimular a economia.   

Levy listou algumas das medidas que estão por trás da previsão de déficit enviada ao Congresso. "A gente já pagou R$ 17 bilhões em subsídios do Plano Safra e no PSI. A gente também está pagando o subsídio dos empréstimos do BNDES que não vinham sendo pagos desde 2010. É importante colocar a casa em ordem para ajudar a ter um 2016 mais forte", disse.  

O ministro também comentou que a economia brasileira sofre com um ciclo de consequências da falta de confiança dos agentes econômicos. "Temos um déficit grande. É claro que a economia está em situação mais difícil porque há essa deterioração. Mas a deterioração econômica é resultado da própria falta de confiança", disse. Levy comentou que essa situação de deterioração é gerada porque as pessoas têm focado nos problemas de curto prazo do País.  

Durante a entrevista, Levy comentou ainda que a nova taxa de câmbio do Brasil - com real mais desvalorizado - já começa a favorecer a indústria. "Muitos negócios estão passando a usar fornecedores domésticos, mas ainda estão receosos porque há incerteza. Quando a confiança crescer, você vai criar novos empregos, especialmente na indústria".

Investidores. Sobre as reuniões com investidores na capital britânica, Levy reconheceu que a grande questão dos estrangeiros sobre o Brasil é a situação fiscal. Aos investidores, a resposta dada por Levy é que não é possível dar uma data, mas o tema tem caminhado. Levy destacou que, quando a situação fiscal for resolvida, haverá destravamento em vários setores da economia, como o investimento em infraestrutura e a concessão de crédito. Assim, será reaberto o caminho para o crescimento.  

"No fundo, a discussão é saber o que vai acontecer com as contas do Brasil. Se a gente vai continuar aumentando o gasto público e será que a Previdência Social pode ter dificuldade em alguns anos", disse Levy.   

Entre os outros temas, o ministro comentou que estrangeiros perguntam se o governo vai quitar todos os passivos existentes e o que acontecerá com o mercado de trabalho do País.  Aos investidores e analistas internacionais, o ministro responde que não há prazo para essa virada de página, mas o tema tem avançado. "Não podemos dar uma data exata, mas o entendimento do Congresso é de urgência para fazê-lo e que é essencial para fazer a economia responder. Não há alternativa para pacificar a questão orçamentária. Após a questão fiscal, o resto vai funcionar", disse.

Levy repetiu várias vezes que, resolvida a questão fiscal, o volume de investimentos em infraestrutura deve aumentar e o mercado de crédito tende a voltar a crescer.   O ministro negou a hipótese de oferecer atrativos extras para atrair investidores estrangeiros. "Lógico que podemos dar garantias, mas não é sustentável você querer criar estímulos dando dinheiro. Temos de mudar o jeito que as coisas funcionam, para ter mais transparência. Esse é que o esforço que a gente está fazendo", disse.  

Reformas estruturais. Levy afirmou que a questão fiscal é chave no curto prazo, mas voltou a defender a adoção de uma agenda de mais longo prazo com reformas estruturais para que o Brasil tenha melhores condições para voltar a crescer. "O tema fiscal é um aspecto chave, mas não é a história toda", disse.  

Ele comentou que a agenda de reformas estruturais conta com o apoio da presidente Dilma Rousseff. "A presidente está muito comprometida com essa agenda estrutural de reformas em pensões, na força de trabalho, no comércio exterior e também na reforma financeira", disse.   

Levy citou várias vezes a necessidade de reforma da Previdência. "Inclusive com a idade mínima", disse. Aos investidores internacionais, a agenda de reformas estruturais é um dos argumentos citados pelo ministro sobre como o governo tem agido para mudanças para além da questão fiscal de curto prazo.

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