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Levy diz que publicação de balanço será mais um passo na reconstrução da Petrobrás

Estatal confirmou divulgação de números nesta quarta-feira; ministro ainda destacou nova formação do Conselho de Administração

REUTERS e AGÊNCIA ESTADO

20 Abril 2015 | 12h41

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou nesta segunda-feira, 20, que a publicação do balanço auditado da Petrobras "vai marcar mais um passo na reconstrução" da empresa. "Há a expectativa, nós esperamos que isso aconteça, de que a Petrobras vá superar a questão dos resultados auditados nos próximos dias. Eu acho que isso vai marcar mais uma etapa na reconstrução da Petrobras", disse o ministro durante evento.

A estatal confirmou que publicará seus resultados financeiros sobre o terceiro trimestre na quarta-feira, 22. No mercado financeiro, é grande expectativa sobre a maneira escolhida pela Petrobrás para estimar as perdas relacionadas com corrupção.

Levy afirmou que há expectativas em relação a uma renovação do Conselho de Administração da Petrobrás com mais profissionais do mercado em detrimento de indicações políticas e que isso melhorará a governança no Brasil.

Citando melhoria nos processos de gestão da companhia, ele afirmou que "a governança continuará a ser melhorada lá, assim como a expectativa de ter um novo Conselho que será formado por pessoas do setor privado e que podem dedicar muito mais tempo para supervisionar a companhia".

Nas últimas semanas, houve relatos na imprensa brasileira de que novos nomes seriam incluídos na lista dos representantes do governo no Conselho da estatal.

No fim de março, o presidente-executivo da mineradora Vale, Murilo Ferreira, foi indicado pela União para a presidência do colegiado. Além dele, foram indicados pela União Aldemir Bendine, Francisco de Albuquerque, Ivan Monteiro, Luiz Navarro, Franklin Quintella e Luciano Coutinho.

Coutinho, Albuquerque, Navarro e Quintella já ocupam assentos no Conselho por indicação do acionista controlador, enquanto Bendine tem presença garantida no colegiado por ser presidente-executivo da estatal.

O único novo nome na lista, portanto, além do presidente da Vale, será o de Monteiro, diretor financeiro da Petrobrás, que na prática substitui a ex-ministra do Planejamento Miriam Belchior. A assembleia geral de acionistas deverá ocorrer em 29 de abril.

Ao falar sobre a Petrobrás, Levy acrescentou que a presidente Dilma Rousseff disse anteriormente não ter conhecimento do esquema de pagamento de propinas envolvendo a estatal e que os gestores envolvidos no escândalo serão pessoalmente responsabilizados.

Questionado sobre se os investidores estariam nervosos com o Brasil após a Polícia Federal revelar esquema de corrupção em contratos da petroleira, Levy disse que respeita essa visão, mas relativizou o assunto.

"Aqueles que têm entendimento mais profundo sabem que o Brasil é um dos países mais transparentes do mundo, um país onde tudo é discutido, onde o governo é responsabilizado por tudo o que faz, onde há eleições regulares e onde as pessoas que cometem transgressões vão para a cadeia."

Protesto. Durante sua participação, o ministro disse que os recentes protestos de rua mostraram que a população brasileira quer menor gasto público por parte do governo.

Os ministérios da Fazenda e do Planejamento preparam um amplo corte de gasto público no Orçamento da União deste ano a fim de contribuir para o cumprimento da meta de superávit primário de R$ 66,3 bilhões, equivalente a 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB).

Falando sobre medidas enviadas ao Congresso para alteração no gasto de benefícios trabalhistas e previdenciários, Levy voltou a dizer que as medidas anticíclicas adotadas no ano passado estão exauridas e que o Brasil está agora no caminho correto, após a adoção das ações do ajuste fiscal.

As declarações foram dadas durante a participação dele em evento da Bloomberg, em Nova York.

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