Levy faz esforço para retomar credibilidade

Ministro da Fazenda busca participar de todas as agendas possíveis com bancos de investimentos, consultorias econômicas, investidores e empresários

JOÃO VILLAVERDE / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

15 Fevereiro 2015 | 02h05

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, tem recebido bancos de investimento, consultores e empresários para reafirmar as diretrizes de transparência no ajuste fiscal em busca da credibilidade perdida nos anos de seu antecessor, Guido Mantega. Evitando publicidade, Levy tem recebido esses dirigentes em audiências conjuntas com seus secretários, em Brasília e em São Paulo. A maior parte dessas reuniões não tem entrado em sua agenda oficial diária.

Buscando "queimar etapas", o ministro tem buscado participar de todas as agendas possíveis com bancos de investimentos, consultorias econômicas, investidores e empresários, às vezes, esticando sua jornada até a madrugada. Na quinta-feira, por exemplo, logo após chegar da reunião dos ministros de Finanças dos países do G-20, em Istambul, na Turquia, Levy ficou em seu gabinete do quinto andar do Ministério da Fazenda até 1h da madrugada de sexta. Sete horas depois, estava de volta para dar expediente.

A lógica desse tipo de agenda de trabalho, pelo menos neste início de gestão, é acelerar nos agentes econômicos a percepção de que a política econômica mudou. "Ele busca participar de reuniões dos outros secretários, seja no começo ou no final, de forma a afinar a mensagem passada e, também, deixar claro a todos que a política econômica também se faz com comunicação, com olho no olho", diz uma fonte próxima ao ministro.

Um exemplo disso foi sua reunião com empresários do setor do varejo, realizada na quinta-feira passada. Na conversa com a empresária Luiza Trajano, do Magazine Luiza, Levy defendeu uma "nova política econômica", sustentada na transparência das contas públicas, em contraposição às manobras e à contabilidade criativa que marcou a equipe antiga, e também no fim da política de desonerações tributárias concedidas à diversos setores. Deixou claro que o governo precisa fazer o ajuste fiscal neste primeiro ano do segundo mandato e que os empresários podem confiar na política econômica, que não ficará "no caminho dos empresários".

Olho no olho. Levy pretende realizar pelo menos uma reunião com o setor produtivo por semana após o carnaval. Até lá, estará em Nova York para reuniões com investidores estrangeiros e representantes da área financeira do governo americano. Ainda neste mês, Levy deve ter uma reunião com lideranças da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). "Ele quer ter reuniões 'olho no olho' com a maior número possível de agentes econômicos", disse a fonte do Ministério da Fazenda.

Ao Estado, um economista da área de tesouraria de um banco privado nacional afirmou que "pelo menos o contato com o Tesouro Nacional mudou muito". Antes fechado e receoso nas conversas com o setor privado, o Tesouro pouco se comunicava com economistas de bancos e consultorias, exceção feita à área de dívida pública do órgão. Foi um padrão distinto daquele que vigorou durante o comando dos dois antecessores do ex-secretário Arno Augustin: o próprio Levy e o atual secretário executivo do ministério, Tarcísio Godoy, mantinham contato com o mercado.

Poupança. Na ânsia para transmitir a mensagem principal de transparência, Levy tem usado todos os espaços para isso. Na sexta-feira, em nota oficial por meio da assessoria de imprensa do ministério voltada a negar boatos nas redes sociais sobre "confisco da poupança", a mensagem estava lá: "Tais informações são totalmente desprovidas de fundamento, não se conformando com a política econômica de transparência".

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