Ueslei Marcelino/Reuters
Ueslei Marcelino/Reuters

Levy forma sua equipe com quatro ‘braços direitos’

Núcleo de auxiliares diretos do ministro da Fazenda tem estilo discreto, com passagens pela iniciativa privada e pelo governo FHC

João Villaverde, Lu Aiko Otta, O Estado de S. Paulo

05 Janeiro 2015 | 21h44

O novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, formou uma equipe à sua imagem e semelhança. O núcleo duro da equipe, que começa nesta terça-feira os trabalhos, divide com o chefe um estilo discreto, o perfil executivo e, no caso do novo secretário de Política Econômica (SPE), Afonso Arinos de Mello Franco Neto, até o doutorado na mesma Universidade de Chicago (EUA), e no mesmo ano (1993) que Levy.

O ministro terá na Fazenda nada menos do que quatro “braços direitos”. O primeiro deles é Marcelo Saintive Barbosa, escolhido para substituir o petista Arno Augustin na Secretaria do Tesouro Nacional, onde a nova equipe entende estar a maior parte dos problemas a serem resolvidos na área econômica.

Conhecido como Saintive, o economista, formado pela UFRJ, tem especialização em regulação econômica e finanças públicas. Começou a carreira em um banco de investimento, o que o diferencia de Augustin, quadro egresso da estrutura interna do PT. Saintive foi secretário adjunto de Acompanhamento Econômico da Fazenda entre 2000 e 2006, atravessando o fim do governo Fernando Henrique e o primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. Neste período, trabalhou intensamente com Levy, que foi secretário do Tesouro do início de 2003 ao fim de 2006. Juntos, Levy e Saintive foram secretário e secretário adjunto de Finanças do Rio entre 2007 e 2010.

Levy foi para o Bradesco em 2011, ano em que Saintive assumiu a diretoria de projetos da Empresa Brasileira de Projetos (EBP). Essa empresa enfrentou problemas até no Tribunal de Contas da União (TCU), por haver praticamente monopolizado a elaboração dos estudos econômicos que foram base para o programa de concessões em infraestrutura em 2012 e 2013.

Ex-Bradesco. O segundo braço direito de Levy é Tarcísio Godoy, que o substituiu no Tesouro entre 2006 e junho de 2007, quando deu lugar a Augustin. Engenheiro civil pela Universidade de Brasília (UnB), Godoy entrou para o Tesouro no fim dos anos 1990 e ficou no comando da área de dezembro de 2006 a junho de 2007. Foi presidente da Brasilprev até 2010, quando passou à iniciativa privada. Convidado pelo Bradesco junto de Levy, Godoy assumiu a diretoria de seguros do banco.

O ex-todo-poderoso secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, será o terceiro braço direito de Levy. Numa decisão surpreendente, Rachid volta, justamente, ao comando do Fisco. Ele foi secretário da Receita de janeiro de 2003 a julho de 2008, quando foi demitido pelo então ministro Guido Mantega, com quem trabalhou diretamente por pouco mais de dois anos. Rachid era homem de confiança de Everardo Maciel, que comandou a área nos oito anos de FHC. Sua presença no governo Lula nunca foi bem aceita pelos petistas. Agora, está de volta.

Finalmente, o quarto braço direito de Levy é o novo secretário de Política Econômica (SPE), Afonso Arinos de Melo Franco Neto, primo do tucano Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central (BC) no governo FHC. Melo Franco é engenheiro pela PUC-Rio com mestrado em economia pela FGV-RJ, para onde voltou depois do doutorado nos EUA.

Além deles, Levy também escolheu o diplomata Luis Balduíno para ser o secretário de Assuntos Internacionais. Manteve Pablo Fonseca como secretário de Acompanhamento Econômico (Seae) e deslocou o até então secretário da Receita, Carlos Alberto Barreto, para a presidência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). Na Procuradoria-Geral da Fazenda, manteve Adriana Queiroz, funcionária de carreira que foi sua colega de equipe desde a passagem no governo FHC.

Veja o perfil da equipe de Levy:

Tarcísio Godoy, Secretário Executivo: Engenheiro civil, Godoy é especializado em assuntos previdenciários e finanças públicas. Atuou no Tesouro Nacional nos anos 2000 até chegar ao comando da instituição entre 2006 e junho de 2007. Presidiu a BrasilPrev de 2007 a 2010, quando foi para a iniciativa privada. Foi diretor da Bradesco Seguros entre 2011 e o fim de 2014.

Afonso Arinos de Melo Franco Neto, secretário de Política Econômica: Engenheiro civil pela PUC-Rio, fez mestrado em economia na FGV-RJ e doutorado na Universidade de Chicago em 1993. Filho do ex-ministro de Relações Exteriores, Afonso Arinos, que também foi imortal da Academia Brasileira de Letras. Na FGV-RJ deu aulas de “economia de defesa da concorrência” até o fim de 2014.

Ocupou a coordenação do curso de Economia da FGV-RJ entre 2003 e 2011.

Marcelo Saintive Barbosa, secretário do Tesouro Nacional: Economista formado pela UFRJ com especialização em regulação econômica e finanças públicas. Foi secretário adjunto de Acompanhamento Econômico da Fazenda, entre 2000 e 2006, e titular entre o fim de 2006 e março de 2007. Assumiu a secretária adjunta de Finanças do Rio de Janeiro em 2007, a convite de Levy, com quem trabalhou até o fim de 2010. Entre março de 2011 e o início de 2014, foi o diretor de projetos da Empresa Brasileira de Projetos (EBP). Foi o diretor-geral da EBP por um ano, até esta segunda-feira.

Jorge Rachid, secretário da Receita Federal: Foi braço direito de Everardo Maciel, ex-secretário da Receita entre 1995 e 2002, no governo FHC. Sucedeu Maciel como secretário da Receita, onde permaneceu por mais de 6 anos. Era considerado pelos petistas como o “tucano infiltrado” na Receita. Demitido por Guido Mantega em julho de 2008, virou adido tributário nos EUA entre 2009 e 2013

Luis Balduíno, secretário de Assuntos Internacionais: Embaixador, de carreira na área econômica. Era diretor do Departamento de Assuntos Financeiros do Itamaraty. Passou por Genebra e Washington como diplomata, sempre atuando na área financeira e comercial.

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