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Levy reforça que governo deve atingir meta fiscal

Ministro destacou que a maior parte das medidas é por meio de cortes de gastos e retirada de benefícios tributários

ALTAMIRO SILVA JUNIOR E DANIELA MILANESE, ENVIADOS ESPECIAIS, O Estado de S. Paulo

20 de abril de 2015 | 13h04

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, reafirmou em um evento nesta segunda-feira que o Brasil vai cumprir a meta de superávit primário de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano e que o governo está fazendo esforços para alcançar esse objetivo.

O ministro afirmou que a maior parte do ajuste fiscal é por corte de gastos e a retirada de alguns benefícios tributários, que foram oferecidos como parte das políticas contracíclicas dos últimos anos. "A presidente (Dilma Rousseff) deixou muito claro que estas políticas se exauriram", disse Levy.

"Acreditamos que podemos fazer o 1,2%, estamos continuando com os esforços para que as medidas que enviamos ao Congresso sejam aprovadas", disse no evento. 

Levy ainda ressaltou que o ajuste fiscal tem algumas medidas estruturais que são importantes para o Brasil e incluem discussões sobre o mercado de trabalho. "O que enviamos não é apenas para aumentar receitas, ou cortar gastos, mas também para melhorar o mercado de trabalho", disse ele em um evento nesta segunda-feira.

"Podemos melhorar o foco do gasto público? Sim, isso é um dos motivos porque estamos mudando os benefícios previdenciários", ressaltou o ministro. Levy afirmou ainda que o objetivo do governo é levar o nível nominal de gasto público para o patamar de 2013, ressaltando que o ano passado não foi um ano bom para as despesas públicas.

Infraestrutura. Levy afirmou que o governo está trabalhando com o mercado de capitais para desenvolver novos instrumentos para financiar o investimento em infraestrutura. "Estou orgulhoso que as pessoas adorem os títulos públicos do Brasil, mas elas também podem investir em bônus que têm ativos reais do outro lado".

"Queremos trabalhar com o mercado de capitais para ver se podemos desenvolver instrumentos", afirmou, falando da possibilidade de transformar bônus de infraestrutura em uma classe de ativos global. Essa procura por ativos de longo prazo, de acordo com o Levy, abre oportunidade para os fundos de pensão e outros investidores institucionais ao redor do mundo, incluindo no mercado de capitais do Brasil.

Levy afirmou que o Brasil está se movendo de uma economia estimulada pelo consumo para outra mais do lado da oferta. "Uma melhora da infraestrutura é uma ação do lado da oferta, porque reduz custos, melhora a eficiência da economia", disse no evento.

Ele argumentou que uma das coisas que precisam mudar no Brasil é que muito do investimento passado em infraestrutura foi financiado principalmente pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O ministro participou nesta segunda-feira do Bloomberg Americas Monetary Summit, que teve entre outros palestrantes, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) de Nova York, William Dudley.

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