Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

Levy repete Mantega e evoca 'espírito animal' dos empresários

Ex-ministro tinha por hábito citar termo de Keynes, economista inglês, na tentativa de tentar incentivar investimentos privados

Francisco Carlos de Assis, Karla Spotorno, Agência Estado

30 de janeiro de 2015 | 11h09

O mercado tem olhado o novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, com olhos muito mais simpáticos do que os que lançava sobre seu antecessor. Mas, nesta sexta-feira, em evento promovido pelo Bradesco, o atual chefe da Fazenda fez voltar às memórias os tempos de Guido Mantega. 

"É preciso resgatar o espírito animal", disse ele, sobre a retomada da atividade econômica no Brasil. "Nosso papel é garantir ambiente seguro ao investidor". De acordo com ele, "há muita coisa que o governo não vai fazer" e que "a retomada da atividade depende de investidores". Para ele, o Brasil tem todas as condições para passar para um novo estágio. 

"Não vamos ficar presos à armadilha da renda intermediária que outros países têm", pontuou. Nesse sentido, Levy disse ser necessário que o governo crie uma base para que cada um assuma seu próprio risco e tenha vontade de crescer.

Levy destacou que o governo tem o compromisso de ampliar e lançar novas concessões e que pretende aproveitar o mercado de capitais e a poupança doméstica e externa para voltar a crescer. "Precisamos entender que os termos de troca mudaram. Isso exigirá reengenharia da economia", disse. "Com muitas transparências vamos fazer as coisas, enfrentando e mostrando". Completou.  

Mantega e o 'espírito animal'. Desde 2012, o antigo ministro da Fazenda insistiu no termo "espírito animal", na tentativa de estimular o empresário a investir no Brasil. Em julho daquele ano, afirmou da necessidade de "que o setor empresarial desperte seu espírito animal e faça os investimentos, pois quem sai na frente tem vantagens".

Devido a falta de eficiência da mera cobrança de Mantega pelo "espírito animal" dos empresários, refletida na baixa atividade econômica durante o governo Dilma, o jargão acabou se tornando motivo de chacota entre analistas.

Na verdade, "espírito animal" foi um termo emprestado por Mantega de John Maynard Keynes, economista inglês, um dos mais respeitados da história. Keynes usava o jargão para descrever as emoções influentes sobre o comportamento humano e, por consequência, sobre as ações dos agentes do mercado. 

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