Fábio Motta/Estadão
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Liberação de crédito nos bancos cresce 22% no primeiro mês da crise, diz Febraban

Entre 16 de março e 17 de abril, os cinco maiores bancos do País emprestaram R$ 266 bilhões para pessoas físicas e empresas

Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2020 | 12h42

Os cinco maiores bancos brasileiros liberaram R$ 266 bilhões em crédito novo para pessoas físicas e jurídicas no primeiro mês das medidas de isolamento social para conter a propagação do novo coronavírus no País, segundo levantamento da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

Os empréstimos concedidos por Bradesco, Itaú Unibanco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal entre os dias 16 de do mês passado e 17 de abril, representam uma elevação de 22% na comparação com março de 2019, quando o montante foi de R$ 218 bilhões.

O levantamento divulgado nesta segunda-feira, 27, pela Febraban contempla as operações de crédito novo contratado no período, renovações e também parcelas suspensas, que foram reintegradas ao saldo devedor durante a crise.

"Não há represamento de crédito ou empoçamento de liquidez. Ao contrário, os bancos estão dando vazão às demandas dos consumidores e empresas por crédito", disse o presidente da Febraban, Isaac Sidney, em entrevista ao Estadão/Broadcast. "Tanto é que já concederam 22% de crédito a mais na comparação com março de 2019 apesar do aumento do risco do crédito e do custo de captação."

Desde o início da crise gerada pela pandemia, os bancos passaram a oferecer carência de 60 dias para as dívidas existentes, suportados por medidas do Banco Central, que injetou cerca de R$ 1,2 trilhão em liquidez para apoiar o sistema financeiro.

Nesse primeiro mês, os cinco maiores bancos renegociaram 3,8 milhões de contratos com operações em dia, que representam um saldo devedor de R$ 230,6 bilhões, segundo a Febraban. As parcelas das operações repactuadas somam R$ 22,2 bilhões.

De acordo com Sidney, esses valores trazem alívio financeiro imediato para empresas e pessoas físicas atravessarem a turbulência. "É uma disponibilidade adicional, uma injeção de recursos novos."

Os bancos, conforme ele, continuam monitorando o cenário e avaliam aumentar o prazo de carência para seus clientes. Antes estabelecido em 60 dias, o limite já começa a ser estendido. Na semana passada, o Itaú Unibanco anunciou um programa de suporte financeiro durante a crise e estendeu a carência para até 120 dias no caso de pessoas físicas e 180 dias para empresas.

Alívio durante a crise

As pessoas físicas tomaram mais de R$ 70 bilhões entre contratação, renovação e suspensão de parcelas nos cinco maiores bancos no período do levantamento da Febraban. O total de parcelas suspensas gerou um alívio de quase R$ 14 bilhões aos consumidores em um cenário de aumento de incertezas diante do risco de desemprego e perda de renda durante a crise.

A concessão de crédito para pessoas físicas alcançou R$ 189,3 bilhões: R$ 116 bilhões ficaram com grandes empresas e R$ 42,6 bilhões foram liberados para micro, pequenas e médias em novos recursos, renovações e suspensão de prestações.

O presidente da Febraban garante que a demanda de crédito tem sido atendida e atribui as queixas quanto ao empoçamento de liquidez e represamento de crédito à falta de compreensão em torno da atuação do sistema bancário no Brasil. Para rebater as críticas, os bancos têm reforçado que são a "solução" e não a origem da crise, desencadeada na saúde, diferentemente de 2008, quando o setor foi o ator principal da turbulência.

De acordo com Sidney, as renovações de crédito têm ocorrido mantendo as mesmas taxas, uma vez que o objetivo do setor é dar fôlego às pessoas e empresas na crise. No crédito novo, explica, os juros cobrados estão "estáveis" no varejo, mas sofrem "alguma oscilação" para médias e grandes empresas em decorrência da mudança do cenário, com a deterioração econômica, aumento do risco e do custo de captação de recursos para os bancos.

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