Liberação do embargo russo não anima criadores no RS

A liberação das exportações de carne suína do Rio Grande do Sul para a Rússia a partir desta terça-feira não animou os criadores brasileiros, especialmente porque o produto já estocado não poderá ser enviado ao mercado russo. O embargo durava desde o ano passado por conta dos focos de febre aftosa encontrados no Paraná e Mato Grosso do Sul. "É um alento, mas não resolve a situação. Não há qualquer indício de que a Rússia abrirá mercado para outros estados além do Rio Grande do Sul", acredita o presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Rubens Valentin. Ele considerou a suspensão do embargo à carne gaúcha apenas um gesto de boa vontade em virtude da vista do premiê russo, Mikhail Fradkov, ao Brasil esta semana. Fradkov chegou, nesta terça, acompanhado de empresários russos para uma visita oficial de três dias. Valentin lembra que a Rússia não tinha justificativa técnica para manter o embargo à carne gaúcha já que o estado não faz divisa com as áreas onde ocorreu a febre aftosa. O Rio Grande do Sul é o segundo maior exportador de suínos para a Rússia no País, atrás de Santa Catarina. A suspensão continua em vigor para a carne do Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, São Paulo, Minas Gerais, Pará e Santa Catarina. Queda O efeito Rússia provocou uma forte queda nos embarques de carne do Brasil e gerou um estoque de 70 mil a 80 mil toneladas, o equivalente a mais de dois meses de exportação. A retomada das vendas do Rio Grande do Sul não diminuirá esse estoque porque a suspensão do embargo vale apenas para carne produzida a partir desta terça, segundo o diretor de mercado interno da Associação Brasileira dos Exportadores de Carne Suína, Jurandi Machado. "Este volume terá que ir para o mercado interno". Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério de Planejamento, Desenvolvimento e Comércio Exterior, os embarques de carne suína caíram 43,7% em março para 22 mil toneladas, na comparação com as 39,1 mil toneladas exportadas no mesmo período do ano passado. Na comparação com fevereiro, quando os embarques foram de 34,8 mil toneladas, a queda foi de 36,8%. Os números referem-se apenas às exportações de carne in natura, não industrializada. Produção Apesar da crise, a Abipecs estima que produção de carne suína deva aumentar 6,5% este ano (ou 177 mil toneladas) sobre as 2,7 milhões de toneladas produzidas em 2005. Segundo Valentin, da ABCS, até agora não houve redução na oferta de animais porque o ciclo de produção do suíno é de cerca de 40 semanas. "Não é algo fácil reduzir a oferta no curto prazo", defende.

Agencia Estado,

04 Abril 2006 | 16h52

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