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Líbia depositou US$ 32 bilhões em bancos dos EUA, diz WikiLeaks

Fundo soberano do governo líbio ainda tem investimentos em Londres 

Reuters,

24 de fevereiro de 2011 | 10h07

O misterioso fundo soberano do governo líbio tem US$ 32 bilhões depositados em vários bancos dos EUA, distribuídos em contas com até US$ 500 milhões cada, além de investimentos em Londres, segundo comunicações diplomáticas norte-americanas divulgadas pelo WikiLeaks.

O documento reflete um encontro realizado em janeiro entre o chefe da Autoridade Líbia de Investimentos (ALI) e o embaixador dos EUA em Trípoli.

A divulgação ocorre num momento em que os governos dos Estados Unidos e da Europa cogitam congelar bens do governo líbio, por causa da repressão a manifestantes contrários ao líder líbio, Muamar Kadafi.

A ALI controla os fundos soberanos em que são depositados os dividendos petrolíferos da Líbia. Estima-se que administre cerca de US$ 70 bilhões, e que isso inclua ações europeias valorizadas, como do banco italiano UniCredit e do grupo editorial britânico Pearson.

Na reunião de 20 de janeiro, Mohamed Layas, diretor da ALI, disse ao embaixador dos EUA que o fundo operava com alta liquidez e não estava preocupado com a volatilidade do mercado petrolífero. "Temos US$ 32 bilhões em liquidez, a maioria em depósitos bancários que nos dão bons dividendos em longo prazo", disse Layas na reunião em seu gabinete, com vista para o mar Mediterrâneo, segundo o documento veiculado pelo site WikiLeaks.

"Ele explicou que vários bancos americanos estão gerenciando, cada um, entre US$ 300 e US$ 500 milhões em fundos da ALI (...). Ele afirmou que os investimentos primários são em Londres, em bancos e em imóveis residenciais e comerciais", diz o despacho diplomático.

A ALI é um dos fundos soberanos menos transparentes do mundo, fortemente ligado ao governo. Num raro relatório anual em 2009, informou possuir mais de 78% do seu patrimônio em "instrumentos financeiros de curto prazo no exterior".

Layas disse que a ALI prefere atuar em Londres, em vez dos EUA, por causa da facilidade para fazer negócios e do sistema tributário relativamente simples, segundo os documentos.

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