Libra faz parte de projeto de crescimento chinês

Entrada no Brasil é forma de gigante asiático garantir os recursos naturais necessários para manter o ritmo de expansão do PIB

LUIZ GUILHERME GERBELLI, O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2013 | 03h14

O interesse das empresas chinesas pelo leilão do campo de Libra passa pela estratégia de desenvolvimento do gigante asiático. Das seis prioridades listadas pelo governo da China para a atração de Investimento Estrangeiro Direto nesta década, três são relacionadas com energia: novas fontes, veículos elétricos e energias renováveis. As demais são máquinas avançadas, nova geração de tecnologia da informação e biotecnologia.

A estratégia chinesa também se justifica por causa do crescimento acelerado e, consequentemente, pelo aumento da demanda por matéria-prima. Na semana passada, a Energy Information Administration (EIA) informou que a China se tornou a maior importadora de petróleo, superando os Estados Unidos.

"Libra passa pelo projeto chinês de garantir recursos energéticos", afirma Cláudio Frischtak, presidente da Inter.B Consultoria Internacional de Negócios. "Numa economia do tamanho da China, que cresce a 7% a 8%, a demanda de energia é muito alta."

Nos últimos anos, a China tem feito diversos movimentos para garantir o abastecimento de energia. O governo se tornou um grande importador de gás da Rússia e se aproximou dos países produtores de petróleo. "A minha percepção é que os chineses vêm com vontade acessar esse campo. Não se tem isso todo dia no mundo", diz Frischtak

A possível chegada das empresas chinesas na economia brasileira não será uma novidade. Um estudo realizado por Frischtak para o Conselho Empresarial Brasil-China revela que 60 projetos de companhias chinesas foram anunciados no Brasil entre 2007 e junho de 2012 - o valor total é de US$ 68,5 bilhões. O recorte detalhado do ano passado mostra que os investimentos chineses no Brasil foram igualmente direcionados entre energia elétrica, eletrônicos, máquinas e equipamentos, e automóveis - cada um com 17% do total. A fatia de petróleo e gás foi de 5%.

Balança. A expressiva ligação entre as economias brasileira e chinesa também se reflete na balança comercial. O gigante asiático é o principal importador do Brasil, sobretudo de produtos básicos - soja e minério de ferro.

Entre janeiro e setembro, o valor exportado do Brasil para a China foi de US$ 35,911 bilhões, o que corresponde a 20,2% do total da pauta. A distância é enorme em relação ao segundo colocado, os Estados Unidos. Até setembro, o governo americano teve uma participação de 10,3% nas vendas brasileiras, somando US$ 18,3 bilhões.

"Em termos diretos, a China é mais importante (para o Brasil) do que os EUA", afirma Fabio Silveira, diretor de Pesquisa Econômica da consultoria GO Associados. "Mas obviamente uma desaceleração da economia americana rebate na China, o que pode enfraquecer o Brasil", diz.

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