Libra passa por projeto de crescimento chinês

O interesse das empresas chinesas pelo leilão do campo de Libra passa pela estratégia de desenvolvimento do gigante asiático. Das seis prioridades listada pelo governo da China para a atração de Investimento Estrangeiro Direto nesta década, três são relacionadas com energia: novas fontes, veículos elétricos e energias renováveis. As demais são máquinas avançadas, nova geração de tecnologia da informação e biotecnologia.

LUIZ GUILHERME GERBELLI, Agencia Estado

20 de outubro de 2013 | 08h10

A estratégia chinesa também se justifica por causa do crescimento acelerado e, consequentemente, pelo aumento da demanda por matéria-prima. Na semana passada, a Energy Information Administration (EIA) informou que a China se tornou a maior importadora de petróleo, superando os Estados Unidos.

"Libra passa pelo projeto chinês de garantir recursos energéticos para a China", afirma Cláudio Frischtak, presidente da Inter.B Consultoria Internacional de Negócios. "Numa economia do tamanho da China, que cresce a 7% a 8%, a demanda de energia é muito alta."

Nos últimos anos, a China tem feito diversos movimentos para garantir o abastecimento de energia. O governo se tornou um grande importador de gás da Rússia e se aproximou dos países produtores de petróleo.

A possível chegada das empresas chinesas na economia brasileira não será uma novidade. Um estudo realizado por Frischtak para o Conselho Empresarial Brasil-China revela que 60 projetos das companhias chinesas foram anunciados no Brasil entre 2007 e junho de 2012 - o valor total é de US$ 68,5 bilhões. O recorte detalhado do ano passado mostra que os investimentos chineses no Brasil foram igualmente direcionados entre energia elétrica, eletrônicos, máquinas e equipamentos, e automóveis - cada um com 17% do total. A fatia de petróleo e gás foi de 5%.

Balança

A expressiva ligação entre as economias brasileira e chinesa também se reflete na balança comercial. O gigante asiático é o principal importador do Brasil, sobretudo de produtos básicos - soja e minério de ferro.

Entre janeiro e setembro, o valor exportado do Brasil para a China foi de US$ 35,911 bilhões, o que corresponde a 20,2% do total da pauta. A distância é enorme em relação ao segundo colocado, os EUA. Até setembro, o governo americano teve uma participação de 10,3% nas vendas brasileiras, somando US$ 18,3 bilhões.

"Em termos diretos, a China é mais importante (para o Brasil) do que os EUA", afirma Fabio Silveira, diretor de Pesquisa Econômica da consultoria GO Associados. "Mas obviamente uma desaceleração da economia americana rebate na China, o que pode enfraquecer o Brasil", diz.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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