Libra pode ter até 15 bilhões de barris

ANP confirma existência de petróleo no poço do pré-sal, mas é criticada pelo anúncio da descoberta a dois dias da eleição presidencial

Nicola Pamplona / RIO, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2010 | 00h00

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) confirmou ontem que o Poço de Libra, no pré-sal da Bacia de Santos, atingiu uma jazida de petróleo a 5,4 mil metros de profundidade. A agência, porém, evitou dar mais detalhes da reserva, preferindo manter as projeções feitas em setembro pela consultoria Gaffney, Cline & Associates (GCA), que fala em volume de 3,7 bilhões a 15 bilhões de barris de petróleo e gás.

Em nota oficial, a agência ressaltou que a estimativa mais provável é de 7,9 bilhões de barris, conforme anunciado no mês passado. As projeções foram feitas com base em pesquisa sísmica (uma espécie de ultrassonografia do subsolo). A constatação de que há um reservatório de petróleo na área é um passo fundamental no sentido de confirmar o potencial da jazida.

Com 7,9 bilhões de barris, Libra rivaliza com Tupi, operado pela Petrobrás, também na Bacia de Santos, pelo posto de maior reserva brasileira de petróleo - Tupi tem volume projetado entre 5 e 8 bilhões de barris. Se a estimativa mais otimista for confirmada, porém, a jazida seria suficiente, sozinha, para duplicar as reservas brasileiras de petróleo, hoje na casa dos 14 bilhões de barris.

Com 15 bilhões de barris, Libra disputaria com Carabobo, na Venezuela, a quinta posição entre os maiores campos petrolíferos do mundo, segundo lista da revista Forbes. A ANP informou que o poço continua em perfuração e deve atingir em dezembro a profundidade final de 6,5 mil metros.

Com uma área de727 quilômetros quadrados, o reservatório de Libra está em área ainda não concedida da Bacia de Santos e, por isso, pertence à União. A ideia do governo é incluí-lo no primeiro leilão do pré-sal sob contrato de partilha, caso o novo modelo regulatório seja aprovado pela Câmara dos Deputados.

Pela proposta do governo, a Petrobrás teria direito à operação do poço com uma participação mínima de 30%. O restante seria concedido ao consórcio que se dispuser a ceder a maior parcela da produção à estatal Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA), criada especialmente para esse fim.

"Essa descoberta, situada no "gigantesco prospecto Libra" conforme expresso no relatório da certificadora, valoriza enormemente o patrimônio da União", disse a ANP, em nota oficial. A área está a 25 quilômetros de Franco, a terceira maior descoberta brasileira, com 4,5 bilhões de barris - o poço também foi perfurado pela agência, mas vendido à Petrobrás no processo de capitalização.

A divulgação de uma descoberta gigante já era esperada pelo mercado esta semana, após rumores que movimentaram as ações da Petrobrás na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). A falta de informações mais específicas sobre o volume de reservas, porém, frustrou analistas, que já conheciam os números da Gaffney Cline.

"É notícia requentada. Esses números já constavam do relatório da GCA", comentou o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, que classificou a divulgação como "mais um anúncio para influir nas eleições". Questionada anteontem sobre o tema, a diretora da ANP Magda Chambriard disse que não há relação entre os fatos.

O Poço de Libra começou a ser perfurado em junho e, na época, Magda previa a conclusão dos trabalhos em setembro. Um problema técnico, porém, levou a agência a interromper os trabalhos e iniciar nova perfuração, a 375 metros da original, o que atrasaria a conclusão do poço para novembro, segundo previsão feita na ocasião.

Parte da área que pode conter a maior descoberta brasileira de petróleo já foi explorada no início da década pela Petrobrás e pela Shell, mas devolvida à ANP porque não havia então tecnologia suficiente para identificar as estruturas rochosas abaixo da camada de sal.

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