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Licença dá poder de barganha à ALL em negociação com a Rumo

Liberação do Ibama para duplicação de trecho que vai de Campinas a Santos é vista como positiva pelos analistas

WLADIMIR DANDRADE, O Estado de S.Paulo

15 de março de 2014 | 02h14

Os acionistas da América Latina Logística (ALL) cresceram em poder de barganha nas negociações de fusão com a Rumo, do grupo Cosan, com a licença ambiental obtida pela concessionária para a duplicação do corredor de exportação entre Campinas e Santos, de acordo com analistas de mercado.

Analistas do UBS classificaram a conquista da licença ambiental, liberada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) na quarta-feira, como uma grande vitória para a ALL, uma vez que essa duplicação é considerada estratégica para os negócios da companhia férrea. No entanto, os analistas do banco, Victor Mizusaki e Rodrigo Fernandes, veem pouco espaço para alta das ações da companhia. O banco mantém a recomendação de compra, com preço alvo em R$ 8,50 para os próximos 12 meses.

Os analistas do JP Morgan também viram a obtenção da licença como positiva, mas não mudaram o status de recomendação dos papéis da empresa. Eles mantiveram a classificação de neutra para as ações e aguardam novidades sobre a incorporação dos ativos da ALL pela Rumo. "O banco mantém a classificação de neutra para a ação ao preferir esperar por uma definição na fusão com a Rumo, atualmente em negociação, e ter uma visão mais clara dos planos de longo prazo na eventual nova companhia", afirmaram os analistas Fernando Abdalla e Carlos Louro.

Contrato. A licença, cujo processo foi iniciado no segundo semestre de 2010, está no centro das discussões entre ALL e a Rumo sobre a validade do contrato assinado em 2009, entre as duas companhias, para o transporte de açúcar. A concessionária aguardava a autorização para continuar os trabalhos em dois trechos que, juntos, somam cerca de 40 quilômetros. A empresa prevê a conclusão das obras em até um ano. O investimento necessário para o término da duplicação é de pouco mais de R$ 100 milhões. Com a autorização do Ibama, a ALL passa a deter todas as licenças ambientais necessárias para completar as obras.

O superintende de segurança e meio ambiente da ALL, Evandro Abreu de Souza, explicou que a licença, válida por quatro anos, está condicionada ao cumprimento, por parte da concessionária, de programas de responsabilidade socioambiental. Entre esses projetos estão incentivos à geração de renda, ações complementares a educação e saúde das comunidades e programa de gestão territorial. "São ações voltadas ao fortalecimento das comunidades indígenas", disse.

De acordo com a ALL, a prestação de serviços de transporte para a Rumo, nos volumes demandados pela subsidiária do grupo Cosan, dependia da duplicação da ferrovia. Desde outubro passado, as duas empresas estão em litígio justamente por conta desse contrato, mas esse processo pode ser arquivado com a incorporação da ALL pela Rumo.

Acordo. A proposta para incorporação da ALL pela Rumo foi oficializada pela Cosan no dia 24 de fevereiro. Os acionistas da ALL têm 40 dias, a partir desta data, para levar a oferta ao conselho. A expectativa é de que o acordo seja fechado ainda neste semestre.

Pela proposta, a Rumo e seus acionistas - TPG e Gávea - ficarão com 36,5% da nova companhia. A oferta precisa ser aprovada pelos acionistas da ALL: os fundos de pensão Previ (dos funcionários do Banco do Brasil), Funcef (dos servidores da Caixa Econômica Federal). a gestora BRZ (com cotistas Funcef, Petros, Postalis, Forluz e Valia), o BNDESPar, braço de participações do BNDES, e os privados Ricardo Arduini e esposa, e Wilson de Lara.

Os fundos contrataram o Brasil Plural para assessorá-los nas negociações. A ALL é representada pela Estáter, que tem o aval do BNDESPar e acionistas privados para fechar o acordo.

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