Licença para Angra 3 deve sair até 30 de agosto, diz EPE

Presidente da Empresa afirma que País trabalha com cenário que inclui mais quatro unidades nucleares

Adriana Chiarini, da Agência Estado,

09 de julho de 2008 | 15h16

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, reafirmou nesta quarta-feira, 9, que está sendo aguardada só a liberação da licença ambiental para a retomada das obras de Angra 3. De acordo com ele, a licença ambiental deve sair até 30 de agosto. "Existe um cenário em que está se trabalhando de mais quatro unidades nucleares" além de Angra 3, informou. Ele também informou que ainda está sendo analisado o local onde será construído um depósito para rejeitos da geração de energia nuclear. Veja também:Governo já tem data para tirar Angra 3 do papel: 1º de setembro Tolmasquim afirmou que a energia nuclear será muito necessária para o Brasil daqui a 20 ou 25 anos e que não há urgência em aumentar a geração de energia nuclear. "O que está se fazendo é preparar o futuro. Não precisamos da energia nuclear hoje, mas ela é importante por uma questão estratégica", disse. Segundo o executivo, hoje a base da matriz energética é hidrelétrica e há as térmicas para completar a necessidade ocasional de maior geração. "A energia hidrelétrica é imbatível em preço, mas daqui a 20 anos ou 25 anos não teremos hidrelétricas suficientes para atender às necessidades e aí a nuclear é uma boa alternativa", disse. "Para funcionar 24 horas por dia, a térmica é muito cara e a nuclear passa a ser melhor", argumentou. De acordo com Tolmasquim, para ter energia nuclear como base daqui a 20 ou 25 anos é necessário manter a capacitação técnica profissional em energia nuclear e a retomada paulatina de projetos na área é importante para isso, assim como os de enriquecimento de urânio. "Poder ter o combustível que vai ser usado é importante", disse. Novas exigências Na terça-feira, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, afirmou que o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) vai estipular novas regras para conceder as licenças ambientais para a usina nuclear de Angra 3, cuja construção foi confirmada pelo governo nesta semana.  Reiterando ser contrário à construção da usina - as obras estão previstas para o início de setembro -, Minc afirmou que trata-se de uma "decisão de governo". Em seguida, antecipou o que está se discutindo no ministério sobre a concessão das licenças. "Eu posso dizer é que vamos acrescentar vários pontos nessa licença ambiental. Queremos um prazo para se resolver o problema dos rejeitos". Outra providência, segundo ele, é exigir que Angra 3 tome conta de parques ao redor de sua construção. Uma terceira medida em estudo é a obrigatoriedade de monitoramento externo e independente para os níveis de radiação. "Teremos sensores em terra, mar e ar e quem vai operar isso é uma universidade ou fundação independente, como já há na Espanha", afirmou.

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