Licitação para Gasoduto Brasil-Bolívia é cancelada

O diretor superintendente da Transportadora Brasil Bolívia (TBG), José Zonis - responsável pelo gasoduto que liga os dois países - disse nesta segunda-feira que a empresa encaminhou à Agência Nacional do Petróleo (ANP) pedido de cancelamento da licitação que visava ampliar o duto. A possibilidade já é estudada pela reguladora desde a semana passada, segundo antecipou à Agência Estado na última sexta-feira. De acordo com Zonis, com a retirada das propostas da Petrobras, Repsol e Total, a licitação "perdeu o sentido". Zonis considerou ainda que não vê motivos para que seja acatado o pedido de outras duas empresas, a Pan Energy e a BG, de um prazo de 180 dias para que fosse analisada com cautela a situação da Bolívia e só depois disso houvesse uma definição a respeito do processo licitatório. "Não há um porquê neste adiamento. Suspendendo a licitação, podemos colocá-la na praça novamente se a situação mudar. Se adiarmos e retomarmos lá na frente, o processo licitatório ficará restrito apenas a estas duas empresas, diminuindo a concorrência", afirmou em entrevista, após participar de evento no Clube de Engenharia, para discutir a questão do gás no Brasil. Segundo ele, a TBG está blindada contra problemas decorrentes do decreto boliviano, porque tem um contrato de transporte de toda a capacidade de gasoduto com a Petrobras, que vale até 2019. Pelo contrato, a estatal paga US$ 1,70 por milhão de BTUs de gás natural transportados. A TBG, disse Zonis, deve reverter no próximo ano seu patrimônio líquido e começar a ter lucro com a operação. Até então, a empresa estava apenas amortizando os investimentos de US$ 2 bilhões feitos no gasoduto, que começou a operar em 1997.

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