Líder chinês vem ao Brasil para acertar plano de ação

Líder chinês vem ao Brasil para acertar plano de ação

O aumento dos investimentos é o destaque do Plano de Ação Conjunta que os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Hu Jintao vão assinar em abril, durante a visita do dirigente chinês ao Brasil. O documento estabelece as prioridades do relacionamento bilateral para os próximos cinco anos e deverá dar novo impulso aos negócios entre os dois países.

Cláudia Trevisan, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2010 | 00h00

Essa será a segunda visita de Jintao ao Brasil. A primeira, em 2004, criou a expectativa de que a China investiria bilhões de dólares no Brasil, especialmente no setor de infraestrutura. Os projetos avançaram mais lentamente do que se esperava e poucos contratos foram anunciados desde então.

A situação começou a mudar no ano passado, com a compra de 21,22% da mineradora MMX, de Eike Batista, pela Wisco (Wuhan Iron and Steel Corporation), por US$ 400 milhões. Na semana passada, houve outro grande negócio no setor de mineração, com a venda da Itaminas para a ECE, por US$ 1,2 bilhão.

Os chineses também anunciaram negócios no setor automobilístico, com investimentos de US$ 35 milhões da Chery e o anúncio de US$ 100 milhões (para um período de dez anos) da JAC, duas montadoras chinesas.

O diretor financeiro da Petrobrás, Almir Barbassa, estima que a estatal feche todo mês contratos de US$ 1 bilhão com a indústria brasileira para compra de bens e serviços. Com a expansão da atuação da companhia em razão do pré-sal, essa cifra ainda vai subir, o que vai estimular investimentos de fornecedores estrangeiros no Brasil.

O seminário realizado na sexta-feira, em Pequim, pela Petrobrás e o Banco de Desenvolvimento da China (BDC) tinha justamente o objetivo de atrair empresas chinesas da cadeia produtiva de petróleo para o Brasil. Mas, de acordo com relatos de brasileiros que participaram do seminário, os chineses ainda não entenderam o modelo de conteúdo nacional mínimo, que exige a produção de pelo menos parte dos produtos no Brasil.

"Eles querem vender para o Brasil, e o governo e a Petrobrás estão apresentando a regra do jogo que exige conteúdo nacional", disse Luís Guilherme de Sá, gerente de Desenvolvimento de Negócios da Techint no Brasil.

Segundo avaliação dos executivos que estiveram no evento, os chineses querem ter a garantia de venda de seus equipamentos no Brasil, para só então investir na produção. Mas a Petrobrás está sujeita às regras de licitação pública e não pode dar prioridade a um fornecedor.

O Grupo Wison saiu na frente e busca uma área de 2 milhões de metros quadrados para construir um estaleiro no Brasil, de olho na demanda que será gerada pelo pré-sal. A empresa fechou contrato de representação em novembro com a brasileira Gaia, que negocia parcerias com construtoras e estaleiros locais.

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