Líder de protestos a favor da EBX pede asilo político ao Brasil

O dirigente cívico boliviano Edil Gericke, líder dos protestos realizados pela população fronteiriça de PuertoSuárez para defender a siderúrgica brasileira EBX, assegurou nesta segunda-feira que pediu asilo político ao Brasil porque teme ser detido na Bolívia.Gericke disse que no domingo se apresentou à PolíciaFederal em Corumbá, vizinha a Puerto Suárez, "para iniciar os trâmites do asilo político""Estou pedindo asilo porque sinto que meus direitos estão sendo violados, há muitas ameaças contra mim por causa deste problema", afirmou o dirigente, que evitou esclarecer se mais tarde voltará a Corumbá ou se ficará no lado boliviano da fronteira.Os habitantes de Puerto Suárez e de outras localidade próximas fazem manifestações desde a semana passada e bloquearam uma estrada que leva ao Brasil em protesto contra a decisão do Governo de expulsar a siderúrgica EBX, porque isto representará a perda de muitos postos de trabalho.O Executivo acusa a companhia de ter violado a Constituição ao se instalar a menos de 50 quilômetros da fronteira e construir fornos que funcionam com carvão vegetal sem permissões ambientais.Um juiz boliviano ordenou no sábado que a siderúrgica sejaderrubada, o que levou os manifestantes de Puerto Suárez a cercar a fábrica para protegê-la da possível intervenção dos promotores.Os donos da empresa serão chamados para depor na cidade de Santa Cruz nos próximos dias.Segundo Gericke, a ação judicial também tem como objetivo adetenção dos dirigentes do movimento cívico. "O que o Governo quer é fazer as detenções para depois negociar nossa liberdade em troca do fim dos protestos realizados pelos cidadãos de Puerto Suárez", acrescentou.O ministro boliviano da Presidência, Juan Ramón Quintana, em entrevista ao jornal La Prensa, qualificou a decisão de Gericke de "uma típica ação política" para se fazer de vítima.Quintana disse que em sua atitude também havia um reconhecimento implícito de sua responsabilidade nos problemas de Puerto Suárez.Os moradores da região realizarão nesta segunda-feira um ato pelo Dia do Trabalho na fronteira que contará com a participação de Gericke e de alguns cidadãos brasileiros, em solidariedade aos seus vizinhos bolivianos.As unidades militares da região estão em estado de emergência desde sábado para evitar que os protestos afetem as instalações das empresas que exportam gás para o Brasil.

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