FOTO:DIDA SAMPAIO/ESTADAO
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Líder do governo na Câmara diz que Bolsonaro apenas sinalizou disposição de negociar idade mínima

Deputado Vitor Hugo (PSL-GO) tentou amenizar a fala do presidente e afirmou que manifestação deve ser entendida como uma 'abertura ao diálogo'; segundo Mourão, Bolsonaro foi 'mal interpretado'

Luci Ribeiro e Mariana Haubert, O Estado de S.Paulo

01 de março de 2019 | 14h30
Atualizado 01 de março de 2019 | 15h51

O líder do governo na Câmara, deputado Vitor Hugo (PSL-GO), disse nesta sexta-feira, 1º, que a fala do presidente Jair Bolsonaro indicando que poderá ceder em alguns pontos da reforma da Previdência, como a idade mínima para as mulheres, apenas "sinalizou a disposição do governo de negociar". Para ele, é assim, como uma abertura para o diálogo, que deve ser entendida a manifestação do presidente, e "não que o governo já parte com a reforma aberta a todo e qualquer tipo de modificação no texto".

Nesta quinta-feira, 1º, ao admitir a um grupo de jornalistas que a Proposta de Emenda à Constituição da Reforma da Previdência tem "gorduras" que podem ser cortadas, Bolsonaro acabou indicando a investidores e ao Congresso que o texto final poderá ficar muito aquém da proposta original. Antes mesmo das negociações começarem, o presidente já informou que topa mexer em um ponto caro para o ajuste fiscal: a idade mínima. Ele disse que aceita reduzir de 62 anos para 60 anos a idade mínima de aposentadoria das mulheres, além de mudar o Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a idosos pobres, e as regras de pensão por morte.

O vice-presidente Hamilton Mourão também minimizou nesta sexta-feira a sinalização do presidente Jair Bolsonaro de que pode ceder em alguns pontos da reforma da Previdência, como a redução da idade mínima de aposentadoria para mulheres. De acordo com Mourão, Bolsonaro foi "mal interpretado". "O presidente mostrou que tem coisas que o Congresso poderá negociar ou mudar. Só isso. Não que ele concorde", disse.

Mourão também disse que a reforma da Previdência agora é do Congresso, que vai analisar a proposta feita pelo governo e vai fazer as mudanças que julgar necessárias.

"O governo não tem que concordar. A partir de agora está na mão do Congresso, que é o local para discutir o assunto porque ali estão os representantes de todos os segmentos da população", disse.

A indicação de Bolsonaro de que pode ceder nesses pontos levou apenas oito dias, e antes mesmo da matéria começar a tramitar efetivamente. Mesmo assim, o líder do governo disse nesta manhã que a estratégia é ainda trabalhar com a PEC original. "O governo vai defender a íntegra do texto neste primeiro momento, sabendo que existem ansiedades, em relação ao BPC, à questão rural e também à idade mínima", comentou.

Segundo ele, o governo já começou a mapear "essas ansiedades" em torno do texto com lideranças partidárias e com setores da sociedade. Ele reforçou que o governo vai estar aberto ao diálogo, mas sabendo que não adianta fazer uma reforma "que não permita ao brasileiro contar com um sistema que não seja sustentável". "O mais importante para nós é que a conta fique próxima, aí, de uma economia em 10 anos de R$ 1 trilhão", destacou.

A eventual desidratação do texto, aventada pelo próprio presidente, pôs a equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, numa saia-justa porque as negociações na prática ainda nem começaram. A crítica na equipe econômica é que Bolsonaro precisa logo definir o articulador político que vai negociar a reforma.

A tramitação da PEC começa na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, que só será instalada depois do carnaval.

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