Líder do MST pede criação de 'Petrobras da Agroenergia'

O líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e da Via Campesina, João Pedro Stédile, defendeu hoje uma reforma no modelo industrial de produção do etanol do País, por meio da criação de uma "Petrobras da Agroenergia, ou uma Empresa Brasileira de Agroenergia (EBA)". Segundo ele, a proposta prevê, entre outros pontos, o limite do plantio de cana-de-açúcar em 20% das áreas de propriedades rurais, o incentivo à produção de etanol em pequenas destilarias e apenas para o consumo local, não para exportação. "Cada município tem o poder de produzir o que necessita, mas a burguesia brasileira é igual cachorrinho lambe-botas e aceita o papel de produzir o etanol para os americanos", disse Stédile durante palestra em Ribeirão Preto (SP), centro da maior região produtora e exportadora de álcool do País.O líder do MST ampliou suas críticas com ataques aos usineiros e ao presidente dos Estados Unidos, George W. Bush. De acordo com Stédile, a visita de Bush ao Brasil, em março, teve como principal objetivo "trazer capitalistas americanos a São Paulo para convencer os fazendeiros do agronegócio paulista a servirem de bedéis, mandados a produzir o etanol para ser exportado para lá", disse Stédile, que considerou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apenas um coadjuvante da visita de Bush.Stédile afirmou ainda que já mantém contatos com lideranças, inclusive do Exército, para apresentar as propostas nacionalistas da criação da EBA, num congresso nacional de agroenergia a ser realizado entre 28 e 31 deste mês em Curitiba. O dirigente do MST considerou os usineiros como "atrasados", pois acham o que "o que liberta as pessoas é apenas a conta bancária". Disse também que a cultura da cana-de-açúcar ainda segue o modelo colonial e escraviza o cortador de cana.A palestra de Stédile foi feita para uma platéia formada, em sua maioria, por estudantes que lotaram um espaço reservado num dos pontos mais tradicionais do consumo de Ribeirão Preto: a Choperia Pingüim. "Eu pensei que aqui fosse só ter filho de usineiro, mas me surpreendi com a platéia", admitiu Stédile.

GUSTAVO PORTO, Agencia Estado

04 de outubro de 2007 | 18h06

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