LIBIA FLORENTINO/LEIAJ?IMAGENS/PAGOS
LIBIA FLORENTINO/LEIAJ?IMAGENS/PAGOS

Líder do PSB ameaça deixar posto, após partido manter fechamento de questão contra reformas

Siqueira rejeitou apelo de deputados do partido para que a direção da legenda revisse a decisão de fechar questão; presidente do partido afirmou que não há como rever uma decisão

Isadora Peron e Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2017 | 17h12

BRASÍLIA - O presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, manteve nesta quarta-feira a decisão da executiva do partido de fechar questão contra as reformas da Previdência e trabalhista. Com a posição, a líder do PSB na Câmara, Tereza Cristina (MS), afirmou que vai "repensar" sua permanência na liderança.

Siqueira rejeitou apelo de deputados do partido para que a direção da legenda revesse a decisão de fechar questão. Pelo menos 18 dos 35 deputados assinaram um documento pedindo para que a Executiva da sigla voltasse atrás e liberasse a bancada nas votações.

O presidente do PSB afirmou que não há como rever uma decisão que teve apoio de "quase 95%" da Executiva. Ele disse que não vai punir os deputados que votarem a favor das reformas, mas eles poderão ser alvos de ações no conselho de ética na sigla movidas pelos correligionários.

Um deputado próximo a Siqueira afirmou também que os parlamentares que votarem com o governo poderão até não serem expulsos do partido, mas poderão ser punidos de outras maneiras, perdendo cargos nas diretorias estaduais da sigla, por exemplo. 

Ameaça

A decisão de Siqueira de manter o fechamento de questão foi anunciada durante reunião com deputados nesta quarta-feira. Segundo apurou o Broadcast Político com pessoas que participaram da reunião, a líder do PSB na Câmara chegou a chorar e a ameaçar não só deixar a liderança, como sair do partido.

"Disse apenas que vou repensar minha posição como líder", afirmou Tereza em entrevista, após o encontro. Ela disse que só tomará qualquer decisão após conversar com a bancada. "Preciso conversar com minha bancada. Sou líder de todos, não sou líder de mim mesma", declarou.

Se ainda estiver como líder, Tereza informou que orientará o voto contra as reformas, mas que pessoalmente votará favoravelmente. "Disse a ele (Siqueira) que minha posição é muito difícil. A bancada está dividida", afirmou a parlamentar sul-mato-grossense. 

Uma eventual saída de Tereza da liderança do PSB pode ser ruim para o governo. Isso porque ela é bastante ligada ao ministro de Minas e Energia, Fernando Filho, que é da ala do partido que defende a manutenção da aliança da sigla com o governo Michel Temer. Tereza já chegou inclusive a ser vice-líder do governo na Câmara.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.