Líder em música na web chega ao País

Serviço sueco Spotify, especializado na transmissão instantânea de músicas mediante assinatura, vai iniciar atividades em setembro

NAYARA FRAGA, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2013 | 02h15

Um dos líderes mundiais no mercado de streaming de música, o sueco Spotify vai iniciar suas atividades no Brasil no fim de setembro, segundo fontes ouvidas pelo 'Estado'. A empresa já tem três funcionários no País e pretende formar equipe de pelo menos 15 pessoas até o primeiro semestre de 2013. A chegada da empresa dá força a um setor ainda incipiente por aqui: o de transmissão instantânea de músicas por assinatura pela internet.

Hoje, há vários sites brasileiros em que o usuário pode ouvir canções instantaneamente, sem a necessidade de download ou pagamento. Em muitos casos, os catálogos são limitados, não existe negociação de direitos autorais com as gravadoras e pouco se pode fazer além de escutar música. Serviços como o Spotify oferecem o oposto: milhões de músicas licenciadas, a possibilidade de criar playlists, alto nível de integração com redes sociais e versões feitas especialmente para web, smartphone e tablet.

Esses fatores, aliado ao baixo preço da assinatura, têm sido os responsáveis pela expansão mundial desse mercado - e a esperança da indústria fonográfica em relação ao fim da pirataria. O Spotify está presente em 28 países e tem 24 milhões de usuários, 6 milhões deles pagantes. O concorrente Deezer é usado por 10 milhões de pessoas (sendo 4 milhões assinantes).

No Brasil, porém, o Deezer chegou na frente. Em sete meses, viu a América Latina ocupar a segunda posição na adição de novos usuários, atrás apenas da França - onde a empresa foi fundada. "Os latino-americanos são os mais ativos no nosso serviço e compartilham muito nas redes sociais", diz Mathieu Le Roux, diretor-geral do Deezer para a América Latina.

Outro rival que o Spotify deve encontrar no País é o Rdio, criado pelos fundadores do Skype, e que estreou no mercado local inicialmente com o nome de Oi Rdio - uma parceria com a operadora de telefonia.

O Brasil já é o terceiro maior mercado da empresa, presente em 31 nações. A expansão global do serviço é "impressionante", segundo o diretor de parcerias estratégicas Scott Bagby. "De dezembro de 2012 para cá, nosso registro diário de usuários no mundo cresceu oito vezes".

Segundo a empresa de pesquisa comScore, o Deezer e o Rdio ocupam, respectivamente, a 19ª e a 29ª posição na lista dos sites de música mais visitados. Mas o ranking não considera os acessos por dispositivos móveis, de onde vêm 80% da audiência global do Rdio, por exemplo. O Spotify, que ainda não está disponível oficialmente no País, aparece em 162º lugar. Há usuários que conseguem driblar os limites territoriais, e não faltam tutoriais que ensinem isso na web.

Hábito. O hábito de escutar música na internet, sem baixá-la para o computador, ganhou força principalmente depois do YouTube - o meio predileto de muitos para escutar música grátis. De outro lado, pagar por conteúdo tornou-se mais comum depois do Netflix, que vende assinatura de vídeos por streaming. A indústria de streaming pago, aliás, se inspira no modelo do Netflix. "Também era possível ver filme pirata antes do Netflix. Agora, mesmo cobrando, o serviço ganha espaço", diz Alex Banks, diretor-geral da comScore no Brasil. "Não me espanta o Spotify vir."

Procurado, o Spotify não quis comentar sobre o início da operação no Brasil.

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