Paulo Ribas/Correio do Estado - 6/11/2012
Paulo Ribas/Correio do Estado - 6/11/2012

Líder mundial em celulose, Fibria ainda está na briga pela Eldorado

Apesar de acordo de exclusividade fechado com grupo chileno Arauco, companhia brasileira quer fazer proposta pelo ativo

Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

01 Agosto 2017 | 05h00

A companhia brasileira Fibria, maior companhia de celulose do mundo, tem uma proposta na manga para comprar a concorrente Eldorado, que pertence à família Batista, caso as negociações em curso com o grupo chileno Arauco não avancem, apurou o Estado.

Fontes a par do assunto afirmaram que o grupo brasileiro aguarda o fim do acordo de exclusividade entre Eldorado e Arauco, valido até a meia-noite de quinta-feira, 3, para formalizar sua oferta.

A Eldorado fechou, no fim de junho, um acordo de exclusividade com a Arauco por 45 dias. Nesse acordo, segundo fontes de mercado, o grupo chileno teria se comprometido a pagar US$ 4 bilhões pelo negócio. A companhia chilena, então, começou a fazer o processo de due dilligence (auditoria) na empresa.

Nos últimos dias, contudo, a família Batista teria sinalizado à Fibria, que tem o grupo Votorantim e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) como acionistas, que poderia analisar uma proposta do concorrente brasileiro, afirmaram duas fontes à reportagem.

A companhia chilena Arauco é assessorada pelo banco Santander. A aquisição da Eldorado pela Arauco é considerada estratégica para o grupo chileno ganhar mais relevância no mercado internacional. Procurada, a Arauco não retornou os pedidos de entrevista.

Expansão. Para a Fibria, a compra do rival traz sinergia ao grupo, uma vez que a fábrica da Eldorado está localizada em Três Lagoas (MS), mesma cidade onde a Fibria está instalada.

Procurada, a assessoria da Fibria informou, por meio de nota, que “a companhia já manifestou que tem interesse nos ativos da Eldorado Celulose, mas não fez, até o momento, nenhuma proposta vinculante pela empresa. Da parte da Fibria, aguardamos o fim do período de exclusividade da negociação anunciado pela Eldorado Celulose com outra companhia para nos manifestarmos.”

Já a holding J&F afirmou que “não comenta a venda de ativos além das informações públicas e respeita os contratos de exclusividade em andamento”.

Com dívida líquida de cerca de R$ 8 bilhões, a Eldorado também tem os fundos de pensão Funcef (Caixa) e Petros (da Petrobrás) como acionistas. Funcef e Petros fazem parte do fundo de investimento (FIP) Florestal, que também tem a J&F, holding dos irmãos Batista como sócio.

De acordo com uma fonte do mercado financeiro, que preferiu não identificar, se a Eldorado for vendida a uma companhia de capital fechado – caso da Arauco –, a chance de saída dos fundos de pensão do negócio é menor. Se a compra for feita por um grupo com ações em Bolsa, caso da Fibria, a saída do negócio deve ocorrer mais rapidamente. Com a queda recente do dólar, a companhia está avaliada entre R$ 12 bilhões e R$ 13 bilhões, disseram fontes.

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