Líderes da UE mostram-se divididos à véspera de cúpula crucial

Os líderes europeus parecem excepcionalmente divididos antes da sua crucial cúpula desta semana, com a alemã Angela Merkel rejeitando os apelos da Itália e da Espanha por uma ação imediata contra a crise econômica.

JULIEN TOYER E THORSTEN SEVERIN, REUTERS

27 de junho de 2012 | 09h06

O primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, disse na quarta-feira que irá propor aos seus colegas da União Europeia que autorizem que os fundos de resgate do bloco ou o Banco Central Europeu estabilize os mercados financeiros.

Falando ao Parlamento antes da reunião de quinta e sexta-feiras em Bruxelas, Rajoy alertou que a Espanha não será capaz de se financiar indefinidamente com o rendimento dos títulos de 10 anos perto de 7 por cento.

"A questão mais urgente é a do financiamento. Não podemos continuar nos financiando por muito tempo aos preços aos quais estamos nos financiando atualmente", afirmou o premiê.

Apesar das profundas discordâncias, os líderes já foram tão fustigados pelos mercados que aprenderam a transmitir uma impressão de unidade antes dos seus encontros.

Mas não foi isso que se viu numa entrevista coletiva conjunta em Roma na sexta-feira, na qual o presidente da França, François Hollande, defendeu uma maior solidariedade entre os países do bloco, sem que as nações endividadas precisem abrir mão de mais soberania acerca dos seus orçamentos nacionais. Já a chanceler alemã Angela Merkel disse que não aceitará responsabilidades adicionais sem que haja um amplo controle orçamentário.

Merkel insistiu nisso na terça-feira, numa reunião com aliados políticos em Berlim. "Não vejo compartilhamento total da dívida enquanto eu viver", disse ela, segundo participantes do encontro. A chanceler acrescentou que a ideia dos títulos europeus conjuntos seria "economicamente errada e contraproducente".

Hollande e Merkel terão um jantar de trabalho na quinta-feira em Paris, o que será uma oportunidade de consertar os estragos. Uma tentativa inicial de aparar as arestas ocorreu numa reunião entre ministros das Finanças dos quatro países na noite da terça-feira, após a qual nada se disse.

Em Roma, o primeiro-ministro italiano, Mario Monti, disse que não vai simplesmente referendar as conclusões da cúpula da UE, e que está disposto a continuar negociando até domingo à noite se isso for necessário para buscar medidas que acalmem os mercados.

Com apoio de Hollande, Monti quer que os fundos de resgate da zona do euro possam ser usados para limitar o spread sobre os papéis alemães em títulos emitidos por países que respeitam as regras orçamentárias da UE.

A proposta enfrenta forte oposição da Alemanha, maior economia da União Europeia.

Os mercados acionários se animaram na semana passada com a esperança de que a cúpula da UE - a 20a desde a explosão da crise da dívida na Grécia - resulte em medidas dramáticas. Depois, no entanto, os investidores reviram sua posição. Muitos investidores preferiram esperar a reunião de Bruxelas antes de agir.

"As pessoas estão esperando o inevitável - ou seja, que as autoridades provavelmente irão fracassar em fazer o que for necessário", disse Neil Mellor, analista cambial do Bank of New York Mellon.

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