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E-Investidor: como a queda do PIB afeta o mercado financeiro

Líderes defendem acordo do G-20

Lacunas na declaração final, antecipada pelo FT, fazem Gordon Brown dizer que reunião é apenas parte do processo

Andrei Netto, O Estadao de S.Paulo

31 de março de 2009 | 00h00

Um dia após a divulgação de um esboço de declaração final da cúpula do G-20, que ocorrerá na quinta-feira, em Londres, líderes políticos vieram a público reafirmar a importância da reunião de chefes de Estado e de governo para o futuro do sistema financeiro e da economia mundial.Segundo o presidente do Banco Central da Europa (BCE), Jean-Claude Trichet, "uma aproximação formidável" está em curso nas negociações entre Estados Unidos, Europa, Japão e emergentes. Já o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, reconheceu que um novo G-20 pode ser preciso.O esboço foi publicado pelo jornal britânico Financial Times. O documento tem 24 pontos e seis temas: Restabelecer o crescimento global; Uma economia global aberta; Reformar os sistemas financeiros para o futuro; Reformar as instituições financeiras internacionais para o futuro; Construir uma retomada global sustentável; e Compromissos. O documento não fala de forma incisiva da elaboração de um plano de relançamento coordenado para combater a recessão, uma reivindicação dos EUA e do Reino Unido, tampouco da criação de instituições internacionais de regulação do sistema financeiro, prioridade da Europa Continental. No lugar de números, há lacunas quando são mencionados a soma dos pacotes de estímulo já lançados, o porcentual do PIB investido - o rascunho fala em 2% - e o número de empregos por eles criados: 20 milhões, segundo a estimativa temporária. O documento lembra ainda o corte agressivo dos juros pelos bancos centrais, os esforços para revigorar os fluxos de capital e o reforço do valor disponibilizado pelas instituições internacionais para ajuda aos países emergentes afetados. O rascunho também deixa lacunas sobre os montantes que serão aportados ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e ao Banco Mundial.Na Europa, a reação dos analistas econômicos foi fria. A maior parte considerou o documento vago e sem propostas conclusivas. Ontem, Brown admitiu a hipótese de que novas reuniões do G-20 sejam realizadas em busca de um acordo mais ambicioso. "Nós sempre consideramos a reunião de Londres como parte de um processo." Esse encontro poderia ocorrer ainda em 2009.Mas Brown demonstrou otimismo. "Creio que vocês constatarão que nós estamos prontos a fazer tudo o que for necessário para devolver a economia mundial para o caminho do crescimento", disse. "Acredito que as discussões terão resultados até quinta-feira."Trichet também reforçou a expectativa de um acordo amplo. "Até onde sei, há uma aproximação formidável e bem-vinda acontecendo e eu acredito que seja muito importante, porque a confiança é essencial - e a demonstração de unidade é parte crucial da confiança." Outro a reforçar o otimismo foi o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Em entrevista ao Financial Times, ele disse que o G-20 deve enviar uma "mensagem forte de unidade diante da crise".

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