Líderes europeus confirmam nova reunião contra crise

O anúncio rebate especulações entre operadores do mercado de Londres de que a reunião poderia ser adiada

Danielle Chaves, da Agência Estado,

24 de outubro de 2011 | 09h57

O Conselho Europeu confirmou hoje que uma nova cúpula de líderes da União Europeia (UE) será realizada na quarta-feira. O anúncio rebate especulações entre operadores do mercado de Londres de que a reunião poderia ser adiada. "A cúpula de quarta-feira está confirmada", disse um porta-voz do Conselho Europeu.

Ontem, a UE concluiu mais uma cúpula anunciando que está próxima de um acordo para frear a crise. Um dos três pilares do plano foi praticamente fechado: a recapitalização dos bancos em mais de 100 bilhões de euros.

"A ideia é a de ter até quarta-feira um ambicioso pacote de medidas para salvar a estabilidade do mundo", disse José Manuel Barroso, presidente da Comissão Europeia. Mas, em um cenário que jamais poderia ser imaginado há poucos anos, líderes europeus falavam abertamente da necessidade de um apoio de países de fora da UE para que isso se torne realidade.

O principal problema é como ampliar o fundo de estabilidade da UE. Hoje, o mecanismo conta com 440 bilhões de euros. O valor seria suficiente para socorrer um país do tamanho da Grécia. Mas, com a crise se proliferando, um eventual resgate à Espanha ou à Itália exigiria ação bem mais radical. Para isso, os europeus concordam que precisam de um fundo de cerca de 1,2 trilhão de euros.

Mas o problema é como captar recursos para alimentar esse mecanismo. Países como a Alemanha não aceitam usar mais uma vez recursos públicos. Berlim conseguiu enterrar o projeto francês de permitir que bancos e governos possam tomar empréstimo ilimitados do Banco Central Europeu, que já gastou mais de 160 bilhões em papéis da dívida dos países periféricos da Europa.

Opção de mais recursos

A opção que parece ganhar força é o maior envolvimento do FMI no financiamento, num claro esforço da UE de internacionalizar a crise europeia. O Fundo já tem uma parcela importante no resgate feito à Grécia. Mas Bruxelas quer mais.

O mecanismo funcionaria da seguinte forma: os europeus criariam uma nova entidade que usaria o dinheiro do fundo da UE, mas também sairia no mercado externo em busca de investimentos. A entidade compraria papéis de países em crise, com a condição de que os governos façam reformas profundas.

Em Bruxelas, fontes da UE admitem que a nova entidade poderia ser criada sob os auspícios do FMI. Ministros que participaram dos encontros dos últimos dias indicaram que a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, apoiava a ideia.

O primeiro-ministro da Suécia, Fredrik Reinfeldt, confirmou a tentativa de envolver parceiros não europeus no projeto. "Isso obviamente está sobre a mesa agora. Se estamos cruzando essa linha, é porque pensamos que se pode obter recursos adicionais."

Nos últimos meses, Brasil, China, governos árabes e diversos outros países indicaram que estão dispostos a ajudar a Europa, alertando que a saúde da UE é do interesse de todos. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, chegou a dizer que o Brics pensava em comprar papéis da dívida europeia. Mas um acordo ainda não foi obtido entre os parceiros europeus, já que muitos temem perder o controle sobre o destino de suas economias.

Mesmo assim, a Comissão Europeia já insistia na necessidade de reforçar o papel do FMI de uma maneira global. "Vimos que a crise da dívida é global. Portanto, queremos reforçar o FMI", disse Barroso. Ele deixou claro que, nas reuniões do G-20 de 3 e 4 de novembro, Bruxelas defenderá que o grupo garanta que o FMI tenha capacidade financeira suficiente para responder aos "problemas sistêmicos".

 
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