Líderes europeus se comprometem a ajudar bancos

Após encontro em Paris, Sarkozy pede cúpula internacional para discutir saídas para a crise financeira

Agências internacionais,

04 Outubro 2008 | 15h42

 Os líderes das principais economias européias se comprometeram neste sábado, 4, a apoiar as entidades bancárias e financeiras de seus países e a trabalhar de maneira coordenada para enfrentar a crise. Alemanha, França, Itália e Reino Unido se reuniram nesta manhã em Paris. O presidente francês, Nicolas Sarkozy, afirmou que os quatro países membros do G8 desejam uma cúpula internacional o mais rápido possível para revisar as regras do capitalismo, segundo a agência AFP.   Veja também: Bush sanciona lei que prevê US$ 700 bilhões contra a crise Aprovação do pacote protege o povo americano, diz Paulson Aprovação demonstra compromisso do governo, diz Bernanke Recurso extra reduz impopularidade de plano, diz economista Crise afetará neoliberalismo, dizem analistas Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise Entenda o pacote anticrise que passou no Senado dos EUA A cronologia da crise financeira  Veja como a crise econômica já afetou o Brasil Entenda a crise nos EUA    Sarkozy disse ainda que as normas orçamentárias da União Européias vão se adaptar à situação criada pela turbulência nos mercados. Segundo essas normas, as nações da Zona do Euro devem manter seus déficits orçamentários abaixo de 3% e a dívida pública deve ser inferior a 60% do PIB. Sarkozy insinuou que as regras serão flexibilizadas devido às circunstâncias excepcionais geradas pela crise em Wall Street. "A aplicação do pacto de estabilidade e de crescimento deverá refletir as circunstâncias excepcionais em que nos encontramos", destacou Sarkozy.   Antes da reunião, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, havia proposto a criação de um fundo europeu de 12 bilhões de libras (US$ 21,2 bilhões) para ajudar pequenas empresas durante a crise financeira internacional. A proposta de Brown, porém, encontrou resistência. Em sua chegada ao Palácio do Eliseu, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, declarou aos jornalistas que os políticos vão assumir suas responsabilidades, mas que aqueles que estão na origem desta crise também devem assumir as suas.   Os ministros alemães da Economia, Michael Glos, e de Finanças, Peer Steinbrück, também rechaçaram a criação de um plano de resgate europeu para os bancos, segundo a AFP. "Um plano de urgência europeu é uma forma de os bancos se esquivarem de ações que eles mesmos devem implementar", indicou o ministro da economia ao jornal Bild am Sonntag.   Na última sexta-feira, a Câmara dos EUA aprovou um pacote de ajuda às instituições financeiras no valor de US$ 700 bilhões. Nesta manhã, o presidente dos EUA, George W. Bush, ressaltou que os benefícios da do plano ainda vão demorar a aparecer na economia do país.   Sarkozy irrita vizinhos    A cúpula convocada por Sarkozy irritou os demais países da Europa que foram deixados de fora da reunião, principalmente os Escandinavos. As principais críticas vieram do governo da Finlância, que chamou a cúpula de "um grande má idéia". Na Suécia, as críticas também foram fortes contra a iniciativa de Sarkozy.   "Se os grandes países e representantes das instituições européias como o Banco Central Europeu se encontram para debater, esse não é um bom caminho para se trabalhar. Estamos todos no mesmo barco", afirmou o ministro de Finanças da Finlândia, Jyrki Katainen. "Na minha opinião, essa reunião foi uma grande má idéia", disse.   Para os países que ficaram de fora, o que não parece lógico é que a reunião de ministros para falar da crise, que ocorre na segunda e terça-feira, com todos os 27 governos do bloco. "Finlândia, Suécia e todos os demais países da UE deveriam estar na mesma posição como tomadores de decisão. A questão é se a mensagem da reunião será: Nos temos um acordo sobre a crise e os demais terão de aceitar", atacou o finlandês.   (com Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo)

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