Líderes mundiais pedem urgência contra inflação de alimentos

Autoridades também prometeram medidas que fortaleçam a economia e afastem riscos no mercado de crédito

Agências internacionais,

13 de abril de 2008 | 17h01

Líderes mundiais pediram neste domingo, 13, ações urgentes para frear a alta dos preços dos alimentos e prometeram rapidez na implementação de medidas que fortaleçam o sistema financeiro internacional e afastem uma nova crise no mercado de crédito. O apelo por um esforço global para lidar com a recente alta dos preços dos alimentos e o antigo desafio de assegurar comida a todos os países veio no último dia do Encontro de Primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (Bird), segundo o jornal The Financial Times.   Veja também:   Para FMI, alta dos preços ameaça estabilidade política  Álcool brasileiro tem menos impacto em alimentos, diz Bird  Mantega culpa subsídio de países ricos por inflação de alimentos Especial sobre a crise de alimentos  Celso Ming explica a alta da inflação  Economia global vive situação entre 'gelo e fogo', diz FMI Produção maior é saída contra inflação, diz Lula ONU pede medidas urgentes contra inflação de alimentos Cronologia da crise financeira  Entenda a crise nos Estados Unidos       Mais cedo, o G7 (grupo que reúne as nações mais industrializadas do mundo) - junto com o FMI, os chefes dos Bancos Centrais e ministros da Economia - endossou um plano para reformar o mercado financeiro global. Segundo o jornal, entre os 65 pontos propostos pelo documento estão o aumento do capital que os bancos precisam ter para investir no mercado de crédito e a criação de um grupo de "supervisores", com integrantes de diferentes países, para monitorar os maiores bancos internacionais.   O presidente do Bird, Robert Zoellick, foi uma das autoridades que pediu ações rápidas para conter a crise dos alimentos, que, segundo ele, já causou fome e violência em diversos países. O primeiro-ministro inglês, Gordon Brown, também se manifestou sobre o assunto e afirmou que o debate sobre a elevação dos preços deve ser prioridade em todas as nações. Brown disse ainda que irá discutir a inflação dos alimentos durante o encontro do G7 (grupo que reúne as nações mais industrializadas do mundo).   O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, advertiu, no entanto, que os governos precisam "resistir à tentação" de adotar controles de preços e subsídios ao consumo que, no geral, "não são eficientes para proteger grupos vulneráveis" e que provavelmente piorariam a situação.   O presidente do Bird afirmou que a comunidade internacional precisa "colocar o nosso dinheiro onde estão as nossas bocas" e agir com o objetivo de ajudar as pessoas que passam fome. A prioridade imediata, segundo Zoellick, é levantar US$ 500 milhões para cobrir um buraco no Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas.   As preocupações com a elevação dos preços dos alimentos tornaram-se o centro das atenções após senadores do Haiti tirarem o primeiro-ministro do posto, no sábado, 12, depois de uma semana de distúrbios motivados exatamente pela alta nos preços dos alimentos. Um soldado nigeriano da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah) foi morto a tiros no sábado, em Porto Príncipe, durante as violentas manifestações. No Egito e nas Filipinas também foram registrados distúrbios relacionados à alta no preço da comida.   O novo diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, também convocou os governos dos países membros para enfrentar o desafio da elevação dos custos dos alimentos. "Se os preços da comida continuarem como estão, as conseqüências serão terríveis em muitos países, não só nos da África", advertiu.   "Muitos governos bem-sucedidos nos últimos cinco anos verão destruído o seu trabalho", afirmou Strauss-Kahn. Países dependentes de importação terão grandes problemas em suas contas externas e o empobrecimento causará instabilidade social e graves conseqüências políticas, disse.   (com Agência Estado)

Tudo o que sabemos sobre:
FMIBirdInflação

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.