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Líderes querem palavra "social" no Fórum Econômico Mundial

Pobreza, saúde e educação foram tão insistentemente citadas em quase todos os painéis de debate da primeira cúpula empresarial e de negócios latino-americano do Fórum Econômico Mundial, no Rio de Janerio, que surgiu a proposta de transformar o nome em "Fórum Econômico e Social Mundial". "Já se conversou tanto sobre temas sociais nesta reunião que o Fórum Econômico Mundial deveria ser Fórum Econômico e Social Mundial", disse o vice-presidente da Ekos International/Natur, Philippe Pommez.Pommez foi mais um entre os mais de 400 empresários, executivos de grandes conglomerados, intelectuais, acadêmicos e representantes da sociedade civil de organizações não governamentais que dedicaram parte do tempo em temas sociais.O presidente do Banco Mundial (Bird), James Wolfensohn, e vice-presidente do Citigroup, William Rhodes, fizeram da pobreza, saúde e educação o assunto principal dos discursos na sessão plenária de abertura da cúpula.Fome e pobrezaNesta sexta-feira, dia de encerramento da cúpula, empresários ligados a ongs concluíram que será "inviável e insustentável" resolver os problemas da pobreza, saúde e educação no Brasil sem a parceria entre o setor privado, as comunidades e os governos. "O governo não tem mais braços para abraçar tudo isso", disse a diretora do Inmed/Brasil, Joyce Capelli, uma ong que cuida de projetos sociais e desenvolvimento sustentável.Joyce, que participou do painel sobre "Desenvolvimento sustentável: saúde, educação e redução da pobreza", junto com outras personalidades ligadas a projetos sociais, como Viviane Senna, do Instituto Ayrton Senna, afirmou que, sem a união dos três setores, será impossível atacar esses problemas. "Políticas imediatistas não resolvem", disse. "Dar dinheiro também não", afirmou Pommez.De acordo com o presidente da BrasilConnects e mediador do painel, João Veríssimo, as empresas precisam pensar que a "doação" de recursos para projetos sociais pode transformar-se em "investimentos", porque as comunidades beneficiadas serão o "mercado potencial" de amanhã. "Desenvolvimento sustentável passa por criação de renda e, para isso, é necessário também ter acesso ao mercado", afirmou.O diretor executivo da ong Comitê para a Democracia em Tecnologia da Informação, Rodrigo Baggio, falou da importância da inclusão da tecnologia da informação (TI) nas comunidades, Baggio afirmou que o setor é também uma das ferramentas importantes para a reintegração social dos excluídos.Uma pesquisa da Unesco, disse Baggio, mostra que o modelo comportamental do jovem em uma favela é o traficante de drogas, e isso que precisa mudar. "No Brasil, temos um aparthaid tecnológico", disse. Segundo ele, nos EUA 54% da população conseguem ter acesso à internet, enquanto que, no Brasil, não passa de 12,5% e, na América Latina, de 3,4%.

Agencia Estado,

22 de novembro de 2002 | 11h57

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