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Ligeiro desafogo financeiro das famílias

O grau de endividamento das famílias é fator decisivo para antecipar o comportamento do comércio neste final do ano. Houve, de fato, leve diminuição das dívidas em agosto, atenuando as apreensões com as vendas de Natal, mas sem que isso reverta as dúvidas quanto ao consumo. O mais provável é que os excelentes resultados de julho do comércio varejista, revelados pela pesquisa mensal do IBGE, tenham sido episódicos. As decisões dos consumidores também dependem de fatores como o crescimento da renda pessoal e os juros dos financiamentos.

O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2013 | 02h12

O porcentual de famílias com dívidas caiu de 65,2%, em julho, para 63,1%, em agosto, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio (CNC). Se houve modesto desafogo financeiro, 1/5 dos endividados ainda destina mais da metade dos rendimentos mensais para quitar os compromissos.

Os consumidores estão mais cautelosos em relação às dívidas por causa da desaceleração do mercado de trabalho, enfatizou a economista Marianne Hanson, da CNC. Além da oferta de menos empregos e de salários menos generosos, a alta da taxa básica de juros afetou toda a estrutura de custos do crédito.

Segundo o Indicador Serasa Experian da Demanda do Consumidor por Crédito, divulgado terça-feira, a quantidade de pessoas que buscaram empréstimos em agosto caiu 5,5%, em relação a julho, e 3,3%, em relação a agosto do ano passado. Mas dívidas muito onerosas, como as do cartão de crédito ou do cheque especial, ainda são tomadas por elevado número de consumidores.

As primeiras indicações do comércio varejista relativas a agosto mostram uma evolução lenta das vendas. Esta foi estimada pela Confederação Nacional dos Diretores Lojistas em apenas 0,8%, comparativamente a julho, com queda de 0,62% em relação a agosto de 2012.

O melhor indicador vem de outra pesquisa da Serasa: a inadimplência caiu 10%, em relação a agosto de 2012, e 5,5%, em relação a julho deste ano. Mas a inadimplência não desapareceu e sua principal consequência é a perda de acesso ao crédito.

É improvável que o processo de redução de dívidas esteja esgotado. Mas a retomada sustentável do crescimento do varejo depende de que os consumidores renovem a decisão de tomar empréstimos, algo incerto, pois muitas famílias se desiludiram com as facilidades exageradas oferecidas pelo governo.

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