Light e BR Malls engordam lista de ofertas de ações

Planos de empresas brasileiras de captar recursos no mercado vendendo ações, que estavam engavetados há vários meses por conta da crise, estão sendo retomados após a forte recuperação da Bovespa em 2009.

REUTERS

10 de junho de 2009 | 21h33

A tendência foi engrossada nesta quarta-feira com a distribuidora de energia fluminense Light e a administradora de shopping centers BR Malls.

A oferta secundária da Light, de volume não revelado e em que serão vendidas ações dos sócios BNDESPar e EDF International, é uma das mais de 40 operações que foram recolhidas ao longo do ano passado com o congelamento do mercado de capitais --sobretudo após a quebra do banco norte-americano Lehman Brothers, em setembro de 2008.

No caso da BR Malls, a oferta será primária e secundária e deve movimentar cerca de 800 milhões de reais, segundo a companhia.

Os dois anúncios vieram à tona um dia depois de a VisaNet, empresa que credencia lojas para receber os cartões Visa, ter anunciado os termos de sua oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), que pode movimentar até quase 10 bilhões de reais.

A oferta da VisaNet será a primeira desde a operação da OGX Petróleo e Gás, feita em julho do ano passado e a última estreia da Bovespa, já em meio à crise.

Desde então, apenas três companhias já listadas na bolsa se aventuraram a levar operações adiante, Vale e SLC Agrícola, em julho do ano passado, e Redecard, em março passado, esta motivada pela urgência do Citigroup, o acionista vendedor, em levantar recursos.

Nas últimas semanas, entretanto, depois de o principal índice da Bovespa ter atingido alta superior a 40 por cento no ano, várias companhias retomaram seus planos.

É essa recuperação de preços que, segundo profissionais do mercado, está estimulando as empresas a tentar a sorte na Bovespa, especialmente as que carecem de recursos para financiar planos agressivos de crescimento, num cenário de oferta de crédito ainda limitado.

Não por acaso as construtoras, animadas com os incentivos do governo para estimular a compra de casas populares, saíram na frente. Na semana passada, a Gafisa anunciou que pretende fazer uma oferta primária de ações de 600 milhões a 700 milhões de reais.

A MRV Engenharia informou que fará oferta primária e secundária de ações estimada em até 550 milhões de reais.

Mas companhias de outros setores também possuem planos. Hypermarcas e Natura já informaram ter contratado assessores financeiros para coordenar uma eventual distribuição pública de ações.

A Perdigão avisou em 19 de maio, quando fechou a compra da Sadia, que pretende levantar cerca de 4 bilhões de reais numa oferta de ações.

(Reportagem de Aluísio Alves)

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