Light negocia com credores mais prazo para equacionar dívida

Companhia quer evitar antecipação de vencimento de empréstimos que somam R$ 3,4 bilhões

ANDRÉ MAGNABOSCO, O Estado de S.Paulo

14 de agosto de 2015 | 02h04

A Light está em discussões com um grupo de dez credores na tentativa de obter um perdão e evitar, dessa forma, a antecipação do vencimento de dívidas associadas a contratos de empréstimos que somam R$ 3,4 bilhões. De acordo com o diretor de Finanças da Light, Cláudio Bernardo Guimarães de Moraes, a conversa com os bancos "está boa", e as instituições indicam "certa tranquilidade" em relação à situação da Light.

A discussão com os credores se tornou necessária após a alavancagem da Light, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda, alcançar 4,54 vezes ao final de junho, acima do limite de 3,75 vezes previsto nos contratos. Caso o limite volte a ser superado no terceiro trimestre, os credores poderiam exigir o pagamento antecipado.

Nas conversas com os bancos, a Light solicitou uma espécie de perdão que concede à empresa o prazo de um ano para a equalização da alavancagem. O pedido leva em consideração a expectativa de melhora da situação financeira da companhia, que foi impactada por questões extraordinárias.

A Light destacou ontem que a combinação de fatores extraordinários teve impacto equivalente a 0,94 ponto porcentual no índice. Ou seja, não fossem tais particularidades, a alavancagem da Light estaria abaixo do limite.

O impacto mais sentido teve origem no déficit de geração hídrica (GSF), equivalente a 0,51 ponto porcentual na alavancagem. O custo de compra de energia não repassado à tarifa, calculado a partir da Conta de Compensação de Variação de Itens da Parcela A (CVA), foi de outros 0,26 ponto. Já a retração do mercado residencial teve efeito de 0,17 ponto porcentual no endividamento.

O impasse considerado mais preocupante, que é a situação do GSF, já está em fase de negociação em Brasília. Os geradores de energia reivindicam que o impacto do déficit de geração, explicado pela necessidade identificada pelo Operador Nacional do Sistema (ONS) elétrico de preservar a água dos reservatórios, não seja repassado integralmente ao setor. 

 

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