Lima, da ANP: 'Não sou subordinado à CVM'

O diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo (ANP), Haroldo Lima, rebateu hoje a afirmação de que não poderia falar sobre a área de exploração de petróleo conhecida como Pão de Açúcar, na Bacia de Santos. "Claro que podia! Não sou subordinado à CVM. Sou membro do governo", afirmou Lima, referindo-se à Comissão de Valores Mobiliários, acrescentando que estava falando para um mercado especializado, referindo-se ao seminário promovido pela Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro. "O que eu não podia fazer e não fiz foi um anúncio. Eu disse que existem grandes possibilidades", acrescentou. Ele disse que declarou ontem que a perspectiva de descobrir petróleo no local era muito boa.Lima disse que as informações dadas por ele, ontem, sobre a área de petróleo na Bacia de Santos, foram publicadas em fevereiro deste ano, no jornal World Oil, de Houston, dos Estados Unidos. O artigo, assinado por Arthur Erman, intitulado "Tree Super-Giants Feelds Discovery off Shore Brazil", afirma que, se as notícias sobre o tamanho e potencial do campo estiverem corretas, sobre a estimativa de 33 bilhões de barris de óleo, esse campo seria o terceiro maior do mundo, com produção cinco vezes maior do que o campo de Tupi.De acordo com Lima, as mesmas informações foram publicadas, também, pelo jornal O Estado de S. Paulo. Segundo o diretor da ANP, que chegou no final da manhã ao Senado para uma audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), a publicação americana é pouco lida no Brasil. "O pessoal vinculado à Bolsa de Valores não está interessado nisso. Querem ganhar dinheiro", afirmou, numa referência à reação no mercado de ações, ontem, em decorrência de suas declarações.Lima disse que não houve intenção de especular com a informação. "Ninguém quis especular. Os especuladores é que quiseram especular", afirmou.O diretor da ANP voltou a defender mudanças nas regras para aumentar a participação do governo na exploração de petróleo. "Não dá para ter descobertas de jazidas dessa magnitude e continuar com os mesmos procedimentos do leilão", afirmou. Segundo ele, vários países produtores de petróleo já mudaram a sua legislação. Lima disse que não falou com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, sobre esse episódio, mas que se tiver oportunidade falará com ele. Ontem o ministro Lobão disse que o anúncio sobre reservas de petróleo tem de ser feito com segurança.?Não quero julgar o comportamento da ANP. Quero apenas dizer que o que se vai fazer daqui por diante é com a segurança devida que a responsabilidade nossa impõe?, disse o ministro. Segundo Lobão, é preciso ter cautela com as informações sobre a extensão da reserva. ?Eu não desejo desmentir nem confirmar (o anúncio)?, disse o ministro.

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