Juan Ignacio Roncoroni/EFE
Argentinos formam fila para sacar dinheiro em banco de Buenos Aires na segunda-feira, 2 Juan Ignacio Roncoroni/EFE

Limbo político na Argentina agrava a crise e população teme novo ‘corralito’

Preocupados com as medidas de restrição à movimentação financeira adotadas pelo governo e com a indefinição em função da corrida eleitoral, argentinos sacaram em menos de um mês quase um terço do total da poupança em dólar do país

Luciana Dyniewicz, enviada especial

08 de setembro de 2019 | 05h00

BUENOS AIRES - A Argentina reviveu na semana o pesadelo do retorno do “corralito”, quando o governo, em 2001, pressionado por uma grave crise, só permitia que a população sacasse seu dinheiro do banco a conta-gotas. Após o anúncio de restrições no acesso ao câmbio feito pelo governo de Mauricio Macri domingo passado, argentinos amanheceram em uma fila diante do Banco de La Nación, na esquina da Casa Rosada, em Buenos Aires, antes mesmo que as portas do banco se abrissem.

No anúncio, o governo havia informado que a população precisaria de autorização do Banco Central para comprar mais de US$ 10 mil e as empresas necessitariam de anuência para enviar lucros ao exterior. Junto com o adiamento de parte do pagamento da dívida de curto prazo do país, essas medidas foram tomadas para contornar o problema do baixo volume de reservas internacionais – mas também acenderam o sinal de alerta entre poupadores.

Nas últimas duas décadas, diante de tantos solavancos na economia, a corrida ao dólar em busca de proteção e a retirada de recursos dos bancos marcaram a história dos argentinos.

Um analista de sistemas que pediu para não ser identificado contou que sacou na semana passada 80% do que tinha em dólares e os colocou em um cofre no banco. “Já não tinha fila (para sacar). Muita gente tirou suas poupanças logo depois das primárias”, disse.

Corrida

Estimativas do setor financeiro são de que desde 11 de agosto, quando Macri foi derrotado nas eleições primárias por Alberto Fernández e Cristina Kirchner, quase US$ 9 bilhões tenham sido sacados das poupanças em moeda estrangeira. O número corresponde a 27% dos US$ 32,5 bilhões que havia nesse tipo de conta.

O banco central chegou a recomendar que os bancos ficassem abertos até as 17h – o normal seria até as 15h – para que todos que quisessem sacar suas economias fossem atendidos. “Falaram que os bancos estariam abertos por mais horas, que não era para ninguém se preocupar, mas, quando dizem isso, tudo o que produzem é o contrário”, afirmou o analistas de sistemas que falou com o Estado. Ele calcula ter perdido cerca de 30% dos quase US$ 20 mil que tinha em 2001, no corralito. À época, o governo congelou contas bancárias e, depois, transformou em pesos o que havia de depósitos em dólares. “Minha preocupação maior é que se ‘pesifiquem’ os dólares de novo.”

Embora o volume de saques venha sendo expressivo, a situação não é tão crítica quanto em 2001. “O que há de similar é a crise de confiança e o perigo de default (não pagamento de dívidas do país). Mas não há condições para um corralito. Naquela época, a situação era de criação de dólar artificial, um problema por causa da conversibilidade (paridade de um para um entre o dólar e o peso argentino)”, diz Fausto Spotorno, da consultoria Ferreres y Asociados.

Segundo fonte do mercado, os banqueiros começaram a semana nervosos, mas terminaram mais tranquilos, pois imaginavam que a corrida aos bancos seria ainda maior. Outra fonte destacou, porém, ser cedo para afirmar que a situação mais crítica tenha ficado para trás. “Não estou nada seguro. A campanha eleitoral começa agora. O quadro é de volatilidade.”

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‘Corralito’ causou mortes na Argentina em 2001

Um dos casos mais emblemáticos foi o do jornalista esportivo Horacio García Blanco, morto, aos 65 anos, seis meses após as restrições de acessos às contas

Luciana Dyniewicz, enviada especial

08 de setembro de 2019 | 04h00

BUENOS AIRES - A preocupação exacerbada dos argentinos com a possibilidade de o governo voltar a limitar o acesso às contas bancárias vem do trauma de 2001, quando o corralito chegou a causar mortes. Um dos casos mais emblemáticos do país foi o do jornalista esportivo Horacio García Blanco, morto, aos 65 anos, seis meses após o ex-presidente Fernando de la Rúa impor as restrições.

García Blanco, que sofria de diabete e pressão alta, entrou na Justiça para tentar liberar suas poupanças e usar o dinheiro para viajar à Espanha. Com cidadania argentina e espanhola, pretendia fazer um transplante de rim em Madri, onde a operação era mais difundida.

“Havia uma exceção no corralito que permitia que idosos e doentes sacassem suas economias”, conta a advogada e amiga do jornalista, Mónica Alicia Damuri. A Justiça, porém, liberou apenas 10% do dinheiro que García Blanco tinha, volume insuficiente para bancar a viagem. Mónica recorreu, mas ele morreu de insuficiência renal antes de uma nova decisão. “O corralito era inconstitucional. Violava o direito à propriedade”, destaca, indignada, a advogada.

Conhecido nacionalmente por comentar, na rádio, lutas de boxe e partidas de futebol, o jornalista morou o último ano de sua vida na casa de Mónica. Era o marido da advogada que buscava García Blanco diariamente das sessões de hemodiálise. “Quem conheceu Horacio de perto viu como o corralito foi prejudicial”, diz a advogada.

Mónica também defendeu a brasileira Izolina Maria Zen, que vive na Argentina há 43 anos. Izolina tinha US$ 13 mil na conta na época do corralito. Com o irmão com câncer de pele, pediu para que a Justiça liberasse sua poupança para poder enviar o dinheiro para ele, que se tratava em Passo Fundo (RS). Ao contrário de García Blanco, Izolina venceu a ação. Nunca mais poupou um dólar em banco.

“Até achei que agora poderia ser algo parecido com o corralito, mas a situação parece menos grave. Mesmo assim, está todos estão assustados, claro. Muitos já tiveram problema em 2001”, diz Izolina, que deve se aposentar em menos de um ano e, então, voltar ao Brasil. “Tenho irmãos lá e a situação econômica parece mais estável. Aqui é sempre assim: uns quatro anos bem e depois vem um baque.”

Mónica, porém, frisa que a medida adotada pelo governo de Mauricio Macri de limitar o acesso ao câmbio e proibir a remessa de lucros de empresas ao exterior é bastante diferente da adotada por De la Rúa em 2001. “Os poupadores continuam podendo sacar suas economias”, diz.

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Uma economia em compasso de espera

Argentina vive entre um presidente debilitado e um não presidente ganhando força; mercado entra em pânico e investidor foge do risco

Luciana Dyniewicz, enviada especial

08 de setembro de 2019 | 04h00

BUENOS AIRES - Há 15 meses, a economia argentina atravessa uma crise cheia de picos de estresse. Após a fuga de capital de países emergentes no começo do ano passado, o peso começou a se desvalorizar rapidamente, o governo de Mauricio Macri pediu socorro ao Fundo Monetário Internacional (FMI), a inflação chegou à casa dos 50% e o país entrou em recessão. Agora, um novo ingrediente agrava o quadro: após as eleições primárias, o opositor Alberto Fernández passou a ser visto como presidente eleito, enquanto Macri já não consegue captar a atenção dos agentes econômicos.

O limbo político no qual o país mergulhou há quase um mês, com Fernández praticamente eleito, mas sem poder começar a trabalhar em um gabinete de transição, travou as decisões de empresários e investidores. “Estamos em uma situação complexa. Temos um presidente muito debilitado e um não presidente (Fernández) ganhando força. Estamos em um limbo em que nunca havíamos estado, porque o resultado das primárias nunca tinha sido tão contundente”, diz o analista político Sergio Berensztein.

Em 11 de agosto, nas primárias, a chapa formada por Fernández e a ex-presidente Cristina Kirchner derrotou Macri por 15 pontos porcentuais – resultado considerado, em todo o país, como quase impossível de ser revertido nas eleições de 27 de outubro.

Nas últimas semanas, o mercado financeiro entrou em pânico, temendo o retorno do peronismo e de políticas intervencionistas como estatizações e subsídios a serviços de energia e transporte. A maior parte dos investidores não quis renovar os papéis da dívida do governo e, dado o baixo nível de reservas internacionais para honrar os débitos, Macri anunciou que parte dos pagamentos foi adiada para daqui a seis meses.

Em entrevista ao Estado, o ministro da Produção e do Emprego da Argentina, Dante Sica, admitiu que “muitos empresários deixaram de prestar atenção” no governo. Por isso, acrescentou, estabilizar a economia “requer um compromisso de todos os atores”, não só do candidato oposicionista, mas também do empresariado.

Fernández, no entanto, tem emitido sinais ambíguos para o mercado. Já afirmou que, se eleito, honrará os compromissos do país, mas também culpou o FMI pela crise atual.

A comparação com o Brasil de 2002, quando houve grande tensão no mercado brasileiro diante da então possível vitória de Lula nas eleições, tornou-se óbvia na Argentina. “A situação é parecida, com o agravante de que ninguém apresenta uma carta (como a assinada por Lula à época, na qual o então candidato se comprometia a honrar contratos)”, disse o economista Fausto Spotorno, da consultoria Ferreres y Asociados.

Paradeira

Enquanto nenhum recado mais claro é dado ao mercado, o país está parado. O presidente da Câmara Argentina da Construção, Julio Crivelli, afirma que as empresas do setor estão esperando 2020 para tomar decisões de investimento. “O grau de incerteza é altíssimo. É preciso esperar o próximo governo.”

Membro da Sociedade Rural Argentina, Santos Zuberbühler também aguarda uma definição política para tomar decisões. Sua preocupação é com o aumento do imposto sobre exportações. No governo Kirchner, foi adotada uma tarifa de 35% sobre embarques de soja. O fim das “retenções”, como são chamadas na Argentina essas tarifas, era uma bandeira de Macri nas eleições de 2015. No ano passado, porém, pressionado pelo FMI, o presidente retomou a cobrança em uma tentativa de aumentar a arrecadação para reduzir o déficit fiscal.

Por enquanto, a única medida que Zuberbühler tomou foi sacar do banco grande parte de suas economias em peso para comprar insumos cotados em dólar. Preocupado com a possibilidade de o peso perder ainda mais valor, ele adiantou a compra de fertilizantes para a plantação de soja e milho de todo o ano que vem. “Esvaziei uma conta em que tinha colocado tudo o que recebi da venda de gado.”

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'Declarações do resto dos políticos e das classes empresariais também importa'

Ministro da Argentina cobra de outros atores ajuda para estabilizar a economia do país

Entrevista com

Dante Sica, ministro de Produção e do Emprego da Argentina

Luciana Dyniewicz, enviada especial, O Estado de S.Paulo

06 de setembro de 2019 | 15h24

BUENOS AIRES - A vitória por 15 pontos porcentuais de diferença da chapa Alberto Fernández e Cristina Kirchner nas eleições primárias argentinas tem feito com que os empresários do país deixem “de prestar atenção” no governo de Mauricio Macri, segundo o ministro da Produção e do Emprego da Argentina, Dante Sica.

O economista admite que é responsabilidade da equipe econômica de Macri estabilizar a economia do país. Mas, dada essa falta de foco dos empresários no governo, ele cobra de outros atores medidas que ajudem a acalmar o mercado. “Porque quem paga a conta não é Fernandez nem Macri, mas o povo”, disse ao Estado.

Dante, que deve estar nesta sexta-feira, 6, no Rio para anunciar o acordo de livre-comércio entre Brasil e Argentina no setor automotivo, afirma ainda que o problema ambiental e as discussões entre o presidente Jair Bolsonaro e o francês Emmanuel Macron não devem afetar o acordo Mercosul-União Europeia. “Isso faz parte da discussão política. Se a França não protestasse contra o acordo, me preocuparia. Pensaria que talvez tivéssemos cedido muito nas negociações.”

A seguir, os principais trechos da entrevista.

Qual é a situação financeira da Argentina?

As medidas que tomamos são excepcionais e até um pouco incômodas em relação ao que era nosso programa de governo. Mas são medidas temporárias por um caso de exceção. Tomamos essas medidas porque, depois das eleições primárias, o cenário mudou. Vínhamos com uma economia em que o risco país estava caindo, o dólar estável e a inflação indicava redução. Mas a eleição, a diferença de votos entre nós e a força opositora, mudou as condições. O mercado de crédito se fechou para nós. O risco país já não refletia a realidade da nossa economia, mas antecipava que Kirchner e Fernández pudessem ganhar as eleições. Isso fez o risco país aumentar.

Mas qual é a responsabilidade do governo nesse quadro?

Vínhamos ainda com uma economia frágil, superando a crise do ano passado, que teve (como fatores geradores) questões exógenas, como a seca e a fuga de capitais de países emergentes. Mas também cometemos erros. Talvez tenha havido certas inconsistências na política monetária e fiscal em 2016 e 2017. Apesar de a economia ter crescido (em 2017), (essas inconsistências) criaram uma situação macroeconômica mais fraca que em outros países. Mas, claramente, o que gerou a mudança das condições econômicas e essa situação de instabilidade foi o resultado eleitoral. Na sexta-feira (antes das primárias), o mercado dava probabilidade de 100% de que íamos ganhar. Na segunda, nos dava 0%. O mercado ajustou os preços dos ativos para o que se tinha no último período de gestão de Cristina Kirchner.

O Brasil passou por uma situação similar em 2002...

Era diferente. Quando Lula ganhou, Fernando Henrique Cardoso era presidente, mas não candidato.Isso permitia dar um sinal diferente. E, apesar disso, quando Lula ganhou, o risco país subiu e Lula teve de manter uma condução econômica muito ortodoxa. Hoje a condição é diferente, porque o presidente também é candidato. Estamos governando, colocando toda a atenção em dar os sinais de governabilidade até 10 de dezembro e não vamos, pelo processo eleitoral, rifar a economia nem deixar ao (presidente) que venha a economia como deixaram para nós, sem reservas...

Mas há semelhanças com o que Cristina Kirchner deixou. Vocês deixarão baixo nível de reservas, preços controlados artificialmente, controle no acesso ao câmbio...

Não é assim. A economia em 2015 estava devastada. O câmbio estava acima do seu patamar de mercado, tinha um controle no acesso ao câmbio monumental. Os importadores, para poder importar, tinham de exportar. Era preciso pedir autorização para comprar moeda estrangeira para viajar. Havia uma deterioração da infraestrutura muito forte. Hoje, a economia recuperou sua estrutura do fornecimento de energia. Temos um controle muito leve de câmbio comparado com aquela época. Vamos entregar a economia com reservas. Nos deixaram um déficit fiscal de quase 5% do PIB, sem acesso aos mercados internacionais. Nós estamos chegando a um equilíbrio do orçamento no fim do ano. Todas as condições são muito diferentes. Não estamos na situação que queríamos estar, mas claramente temos uma economia muito melhor do que nos entregaram em 2015.

Após as primárias, Fernández passou a ser visto como um presidente eleito, mas que ainda não pode comandar, e Macri quase como um ex-presidente. Qual o impacto para a economia?

Por isso foi importante o diálogo que o presidente mantém com os candidatos, em especial com Fernández. Há uma conversa fluida na medida em que é necessário para se ter uma estabilidade. O impacto na economia foi forte, porque o mercado, ao descontar antecipadamente o resultado da eleição de 27 de outubro, ajustou seus parâmetros na comparação com o que foi a experiência histórica do kirchnerismo. Estabilizar essa condição requer um compromisso maior de todos os atores. É nossa responsabilidade, mas muitos atores empresariais deixaram de prestar atenção em nós. Por isso é tão importante isolar a estabilidade de curto prazo da questão eleitoral, porque quem paga a conta não é Fernandez nem Macri, mas o povo. Essa instabilidade afeta o nível de preços e consequentemente a renda dos trabalhadores.

O governo não está perdido nas medidas que deve tomar? Não teria sido melhor anunciar o adiamento do pagamento da dívida após começar um controle no acesso ao câmbio? Qual é o plano?

Nosso plano é de estabilização. Temos três objetivos básicos para cumprir com as reservas internacionais: estabilizar o câmbio, garantir os depósitos (caso a população queira sacá-los dos bancos) e pagar a dívida. Para poder cumprir esses compromissos, tendo como restrição a quantidade de dólares, de alguma maneira tomamos medidas, insisto, temporárias. O que fizemos foi, no curto prazo, mudar o prazo de pagamento da dívida sem descontos no juros ou no total do capital devido. Não é que tomamos uma medida depois outra. Foi uma sequência, na qual primeiro demos o sinal de reprogramação da dívida...

Isso fez com que as pessoas fossem aos bancos sacar suas economias em dólares...

Em uma situação atípica como a que estamos vivendo, também importa muito as declarações de distintos atores políticos. Nós temos a responsabilidade primária porque somos os que têm de governar, pelo menos até 10 de dezembro. Agora, em um contexto eleitoral de incerteza política, as declarações do resto dos atores políticos e das classes empresariais também importa.

Se vocês ganharem as eleições, qual o programa para governar o país, que está em situação crítica?

Esperamos que o mercado se acalme um pouco, para, já no processo eleitoral, mostrar um programa de desenvolvimento produtivo para o próximo período. Vamos acelerar reformas estruturais, que vínhamos fazendo, mas que muita coisa não se concretizou. Lembre que o governo é atípico na história da Argentina: um governo não peronista, não radical (do partido União Cívica Radical), que vai terminar o mandato com minoria nas duas casas do parlamento. Nunca um governo teve mais debilidade institucional que este. Conseguimos aprovar muitas leis importantes, mas muitas não pudemos avançar. Vamos modernizar o sistema de relações trabalhistas para captar as novas formas de trabalho e continuar os processos de integração da economia.Avançamos em integração com o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, mas temos de continuar avançando. Ter uma integração maior com o Brasil e maior acesso aos mercados.

Os incêndios na Amazônia e a falta de prioridade do governo Bolsonaro para as questões ambientais põe em risco o acordo Mercosul-União Europeia?

Acredito que o Brasil vai cumprir com seu compromisso e está comprometido com a defesa do meio ambiente. Esse evento (os incêndios) gerou uma preocupação, mas não acho que terminará sendo um elemento que possa afetar o acordo.

Nem o embate entre Bolsonaro e o presidente da França, Emmanuel Macron?

Isso faz parte da discussão política. Se a França não protestasse contra o acordo, me preocuparia. Pensaria que talvez tivéssemos cedido muito nas negociações. Que a França esteja levantado a voz significa que a negociação foi muito equilibrada. Mas isso faz parte do diálogo e da discussão política. Não acho que coloca em perigo o acordo.

Voltando a 2020, como um governo vai administrar o país com poucas reservas e dívida alta?

Estamos discutindo com as forças de oposição para levar um projeto de lei ao Congresso para reprogramar a dívida que vence entre 2020 e 2023.

O governo pode reprogramar a dívida sem negociar no Congresso...

Mas a aprovação no Congresso dá mais segurança aos detentores de dívida e permite aliviar um pouco a carga desse governo ou do que venha (em 2020). Nesse sentido, há que continuar trabalhando na consolidação fiscal. Temos avançado muito, Conseguimos votar um orçamento equilibrado para este ano. Mas claramente esse impacto do processo eleitoral sobre o quadro macroeconômico fará com que enfrentemos dois ou três meses de inflação mais alta.

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