Limitação da renda afeta expansão de serviços na China

A diferença de renda entre os ricos e os pobres está travando a expansão do setor de serviços na China, segundo o relatório divulgado nesta terça-feira pela Academia de Ciências Sociais da China. "O setor de serviços respondeu por 40,2% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional em 2005, contra uma participação de 41,7% em 2002. O resultado está muito abaixo da média mundial de 60%", disse a Agência de Notícias Xinhua.Os pesquisadores afirmam que os chineses não se tornaram grandes consumidores de serviços por "ganharem o suficiente apenas para sobreviver". O relatório aponta que "o setor de serviços de luxo se expandiu rapidamente para atender a demanda gerada por um diminuto grupo de pessoas ricas", antes de disparar que o país não dispõe de "serviços de baixo custo com padrões aceitáveis destinados à classe média e aos trabalhadores".A divulgação do relatório ocorre às vésperas do anúncio oficial do PIB de 2006, programado para quinta-feira. De acordo com as projeções iniciais, a economia chinesa expandiu-se 10,5% no ano passado, para US$ 2,5 trilhões - um dos melhores resultados desde o início do processo de abertura e reforma, inaugurado por Deng Xiaoping em 1978. Apesar disso, o fosso que separa os ricos dos pobres na quarta economia do planeta segue se alargando e elevando anualmente o número de protestos sociais, alarmando as autoridades."Cerca de 10% das famílias mais ricas da China concentram mais de 40% da riqueza total acumulada por todas as famílias no país, contra a cota de 2% dos 10% mais pobres", frisou o Diário do Povo durante a reunião do Comitê Central do Partido Comunista da China (CCPCCh), em outubro do ano passado.Conforme a reportagem, o Coeficiente de Gini - um dos principais indicadores internacionais para dimensionar a desigualdade social -, chegou ao "perigoso patamar de 0,4"em 2005, dentro de sua escala que varia de zero a 1,00.Além disso, a China também começa a enfrentar as tensões provocadas pelas diferenças inter-regionais, já que "o PIB per capita da província mais rica é 10 vezes superior ao da província mais pobre", reconheceu o jornal oficial do PCCh na oportunidade.

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