Limitada, telefonia 4G chega ao Brasil

Quarta geração das tecnologias de transmissão de voz e dados em redes de celular tem capacidade de fazer que a internet fique mais rápida e estável nos smartphones e tablets; porém, o preço do serviço ainda é alto e a cobertura, restrita

Entrevista com

Filipe Serrano, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2013 | 02h05

Uma tecnologia ainda cara, compatível com poucos celulares e disponível apenas em certos bairros de algumas cidades do País. É nesse cenário que começa a funcionar no Brasil a quarta geração de tecnologias de telefonia móvel (4G), uma aposta que tende a melhorar a velocidade do serviço de internet móvel - isto é, a conexão usada nos smartphones e tablets.

O cronograma definido pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) dá um prazo até amanhã para que as operadoras de celular comecem a operar suas redes 4G nas seis cidades que vão sediar a Copa das Confederações entre 15 e 30 de junho.

Algumas empresas como Claro e Oi já se adiantaram ao prazo limite e começaram a vender o serviço para os consumidores. Na semana passada, a Claro inaugurou sua rede também na cidade de São Paulo - que não sediará o evento esportivo em junho, assim como Curitiba e Porto Alegre, que também começaram a ser atendidas pela operadora antes do cronograma oficial.

Até sexta-feira, Vivo e TIM não tinham divulgado os valores dos seus planos 4G e as cidades cobertas, o que deve ser anunciado nesta semana.

Inicialmente, poucas pessoas terão acesso à nova tecnologia. Apenas smartphones compatíveis captam o sinal e existem 11 modelos homologados (autorizados) no País com a tecnologia 4G. O mais barato deles é encontrado no varejo por R$ 1.240, sem descontos de operadoras.

Já os consumidores que compraram celulares 4G nos Estados Unidos (como o iPhone 5) não vão se beneficiar da conexão que pode ser até dez vezes mais rápida do que o 3G. Isso ocorre porque a frequência adotada nos EUA - e em muitos outros países - é diferente da que opera no Brasil.

Além disso, a instalação da infraestrutura está em fase inicial. A Anatel exigiu a cobertura de pelo menos 50% da área dos municípios com a nova tecnologia e, por enquanto, o 4G está disponível em apenas alguns bairros. O Link usou um celular 4G da Claro na semana passada em parte das zonas norte e oeste de São Paulo e não encontrou o sinal de quarta geração nesses locais.

"A tecnologia ainda é nova, está sendo testada e a cobertura é baixa. Existe o risco de o usuário ter uma experiência de uso ruim, mas as operadoras têm que lançar porque têm as obrigações", diz a analista Marceli Passoni, da consultoria Informa Telecoms & Media. "A partir do próximo ano, as empresas devem migrar os usuários mais ativos para a rede 4G, mas a tecnologia ainda vai ser adotada pelos consumidores em larga escala. Isso vai ocorrer em 2015 ou 2016."

Segundo ela, o alto preço do serviço contribui para que o 4G atraia poucos consumidores nesta primeira fase de instalação.

A consultoria estima que o Brasil tenha 930 mil assinantes de serviços 4G até o fim do ano. O número é pequeno comparado aos 264 milhões de linhas móveis ativas no País - das quais 61,3 milhões são celulares com tecnologia 3G. Relatório da Anatel de março registrava 14 mil aparelhos 4G ativos no Brasil. Mas a previsão é que a quarta geração cresça muito nos anos seguintes. Em 2017 a quantidade de linhas ativas pode chegar a 28 milhões, segundo a Informa.

Para Erasmo Rojas, diretor para América Latina da 4G Americas - associação da indústria de celulares -, as operadoras têm de usar o tempo antes da Copa das Confederações e da Copa do Mundo no Brasil para testar a rede e, assim, oferecer um serviço de boa qualidade. "A tecnologia vai funcionar. A questão é se vai haver capacidade e cobertura suficientes para garantir o funcionamento não só nos estádios, mas também no uso diário", diz. "É importante que essa experiência em junho seja bem feita para que os brasileiros não tenham a mesma dúvida que hoje têm em relação ao 3G e que a 4G seja uma rede em que se possa confiar."

Pesquisa da Anatel mostrou alta insatisfação entre os usuários de telefonia móvel, incluindo em relação à banda larga. O 4G pode melhorar essa percepção?

Sim. A pesquisa tem dados aparentemente contraditórios porque ela diz que o consumidor do pré-pago está mais satisfeito do que o do pós-pago.

Por que é contraditório?

Porque todo mundo está usando a mesma rede, os serviços são muito parecidos. Por que o consumidor do pré-pago estaria mais satisfeito? Acho que tem a ver com o 3G, que está congestionado. O usuário fica insatisfeito com o telefone, mesmo que o serviço de voz esteja melhor.

Para o sr. o serviço 3G hoje no Brasil não é adequado?

Não quero desqualificar o 3G. Aposto que, com a migração de clientes para o 4G, o 3G pode desafogar. Nós estamos cobrando infraestrutura e investimento no próprio 3G. Hoje ele está insatisfatório.

No leilão do 3G o governo também fez exigências sobre a cobertura do serviço. É possível garantir que a qualidade do 4G será melhor?

A Anatel mudou os critérios de cobrança. As empresas estão fazendo a cobertura de mais de 2.500 municípios com 3G no Brasil. Isso dá mais de 80% da população. Mas o serviço cresceu num ritmo expressivo e as empresas não se prepararam. Foi um erro. Mudamos os critérios, estamos fazendo um monitoramento mensal e vendo melhora.

A principal crítica ao 4G é que os aparelhos comprados no exterior e os dos turistas não vão funcionar aqui. Isto é um problema?

Nem todos os países usam o 700 MHz (frequência adotada nos EUA). Tem vários usando o 2,5 GHz (padrão brasileiro). Essa era a frequência que podíamos usar, porque o 700 MHz hoje é da televisão analógica. Caminhamos para usar o modelo da região Ásia-Pacífico, mais adequado à nossa realidade. A tendência é que os aparelhos funcionem em todas as frequências. / F.S.

Tudo o que sabemos sobre:
internet4Gcelular

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.