Limite de crescimento do PIB hoje é de 3,5%, diz Fazenda

O limite de crescimento potencial do PIB está hoje entre 3% e 3,5% ao ano, afirmou hoje secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Otaviano Canuto. Como os investimentos estão abaixo dos 20% do PIB, um crescimento maior provocaria desequilíbrio nas contas externas e o retorno da inflação. No entanto, ele disse que há uma pequena margem para crescer um pouco mais com a melhora na capacidade ociosa no setor produtivo.Para ele, o aumento dos investimentos é o ?grande desafio? do governo. Com taxas em torno de 22% do PIB, seria possível crescer em torno de 4,5% sem provocar desequilíbrios. Segundo o secretário, é possível investir mais reduzindo a relação dívida pública/PIB e trazendo segurança jurídica. Canuto disse também ser preciso aumentar a produtividade e melhorar a qualidade dos produtos, acompanhadas de atualização tecnológica. ?Se não o Brasil não conseguirá sair da armadilha de sustos de crescimento?, afirmou Canuto, que participou hoje de um encontro em São Paulo.Canuto justificou as críticas que o governo recebeu pela ortodoxia em relação ao combate da inflação dizendo que a equipe econômica "nunca apresentou uma proposta populista e de curto prazo". Ele estimou que a atividade econômica tem um horizonte positivo nos próximos meses com as recentes quedas dos juros. ?O pior já passou. O alívio monetário agora vai ter maior força na recuperação da economia ao longo dos próximos meses.?Risco Brasil "ladeira abaixo"O secretário de Assuntos Internacionais da Fazenda disse ainda que mantém a estimativa feita há alguns meses de que a taxa de risco Brasil chegará a 300 ou até 200 pontos base, mas evitou fazer estimativas sobre quando isso poderá acontecer. ?É uma coisa que aprendi com o meu chefe (o ministro Antonio Palocci), que sempre me disse: Otaviano, nunca ponha datas nas promessas, pois essas datas podem se virar contra você?, disse Canuto. ?A trajetória desse risco, no entanto, é ladeira abaixo?.Ele também destacou a importância do aumento do comércio do Brasil com o resto do mundo. No entanto, ele prevê problemas no êxito de uma ampla negociação em relação à Alca e destacou que o interesse dos europeus no acordo da União Européia com o Mercosul tem sido diretamente ligado à aproximação com os norte-americanos. ?Não somos uma área prioritária para os europeus, mas eles não querem perder espaço para os americanos?, afirmou. Canuto revelou ainda que os japoneses têm demonstrado maior interesse de aproximação com o Mercosul, um assunto que será discutido na viagem que ele fará ao Japão no final de setembro.

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