Linha branca aposta em renovação de IPI reduzido

Empresários se reúnem com Mantega e esperam manter benefício até o fim do ano

ADRIANA FERNANDES , RENATA VERÍSSIMO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2012 | 03h05

Os fabricantes de geladeiras, fogões e outros eletrodomésticos estão confiantes na prorrogação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) reduzido para os produtos da chamada linha branca. Depois de uma longa reunião ontem com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, representantes do setor mostraram-se animados com a possibilidade de o governo anunciar na sexta-feira a extensão do benefício.

O presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Humberto Barbato, disse que, apesar de o ministro não ter prometido a renovação, o setor mostrou a importância da redução do IPI para o aumento de vendas e do emprego. Barbato disse que a indústria demonstrou, com números, que houve repasse do incentivo para os preços finais dos produtos.

Segundo o executivo, houve um aumento de 8,5% nas vendas do segmento no primeiro semestre deste ano na comparação com igual período do ano passado, enquanto o setor eletroeletrônico, como um todo, teve uma queda de vendas de 10% no período. "Imagina se não tivéssemos desoneração. A queda do setor todo teria sido maior", afirmou Barbato.

O presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletrônicos (Eletros), Lourival Kiçula, que também participou do encontro, disse que "a renovação do benefício é importante para a manutenção dos empregos e das vendas". O setor defende a extensão do benefício até o fim do ano.

Avaliação positiva. O Estado apurou que o ministro não estava satisfeito com o nível de repasse da redução de IPI para o consumidor final. Por isso, Mantega via com menos simpatia a prorrogação da queda do tributo para móveis e linha branca. Ontem, entretanto, o ministro mostrou que essa avaliação melhorou.

Durante a reunião, Mantega fez uma avaliação positiva dos resultados obtidos até agora com a redução do imposto e voltou a afirmar que o ritmo de crescimento voltará a ganhar fôlego. Segundo ele, o País terá condições de crescer entre 4% e 4,5% em 2013. Agora, a preocupação do ministro é saber se a manutenção do IPI menor terá efeitos positivos para a economia. Os executivos que estiveram ontem na Fazenda foram unânimes em dizer que haverá efeitos.

Outros setores. Empresários dos setores de material de construção, móveis e varejo foram mais cautelosos. O presidente da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco), Claudio Conz, disse que Mantega recebeu um balanço de todas as entidades e avisou que vai fazer uma análise dos dados antes de tomar uma decisão.

Nesse segmento de material de construção, o problema, no curto prazo, é de financiamento, já que a redução de IPI tem validade até 31 de dezembro. Conz informou que o setor também pediu ao governo a inclusão de mais 50 itens na lista de produtos desonerados, mas já sabe que o ministro não aceitará a inclusão de todos os produtos.

O presidente da Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel), José Luiz Diaz Fernandez, pediu a prorrogação da redução do IPI até o fim do ano. Para móveis, o benefício vale até 30 de setembro. Segundo ele, o setor tem apresentado crescimento nas vendas, no emprego e no faturamento.

Montadoras. Mantega recebe hoje representantes das montadoras e do setor de bens de capital. Assim como os produtos da linha branca, o incentivo para automóveis termina na sexta-feira.

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