Linha de crédito da Caixa para compra de móveis populares patina

Segundo informações da Abimóvel, programa financiou 0,075% dos R$ 2 bi de que a linha dispõe até 2014 para o Minha Casa, Minha Vida 

Roberto Dumke e Ricardo Carvalho, especial para a Agência Estado,

24 de julho de 2012 | 18h58

SÃO PAULO - A linha de financiamento Cred Móveis, anunciada em abril pela Caixa Econômica Federal, está longe de decolar. Segundo informação da Associação Brasileira das Indústrias de Mobiliário (Abimóvel), o programa financiou R$ 1,5 milhão entre junho e julho, ou 0,075% dos R$ 2 bilhões de que a linha dispõe até 2014 para participantes do Minha Casa, Minha Vida. Quem financia o imóvel pelo programa do governo federal pode tomar crédito para comprar móveis com juros de 1% a 2% ao mês, a depender da faixa de renda, com prazo de até 48 meses.

A principal função do Cred Móveis é atender a demanda da classe C que forma o público do Minha Casa, Minha Vida, e, ao mesmo tempo, é uma linha que pode ajudar a impulsionar as vendas da indústria moveleira. Essa parcela da população é responsável por 30% das compras de móveis no Brasil, de acordo com Ivo Cansan, presidente da Associação das Indústrias de Móveis do Estado do Rio Grande do Sul (Movergs). A nova linha da Caixa poderia aumentar as vendas de 2% a 3%, segundo Cansan. O mercado interno ganhou ainda mais importância para o setor após a crise financeira de 2008, quando as exportações despencaram. Em 2007, as vendas externas somaram mais de US$ 1 bilhão, enquanto em 2012 a Abimóvel prevê exportar US$ 700 milhões.

Exigências

Cansan, da Movergs, afirma que as altas exigências do banco federal para aprovar os financiamentos são uma das razões pelas quais o Cred Móveis apresenta, após um mês, cifras tão tímidas. "A pessoa que vai tentar ter acesso ao dinheiro já tem a sua renda comprometida com o Minha Casa, Minha Vida e não consegue obter um segundo financiamento", explica. Para ele, o banco precisa dar mais facilidades às famílias, como permitir que o Cred Móveis seja contraído pelo cônjuge ou por um familiar do titular da dívida imobiliária que não esteja com a sua capacidade de endividamento esgotada.

Para José Luiz Dias Fernandez, presidente da Abimóvel, o dinheiro do Cred Móveis não não chegou na ponta do consumidor, "devido a um processo de adaptação interna da Caixa Econômica Federal". Ele destaca, porém, que as lideranças do setor se reuniram na semana passada com o banco e esperam, para agosto, uma forte campanha de divulgação para reanimar a linha de financiamento.

Fernandez ressalva que o Cred Móveis não é o incentivo mais importante para o reaquecimento da indústria. "O que vai ajudar muito é a redução do IPI (prorrogada no final de junho por três meses) e a desoneração na folha de pagamentos". Concedida no início de abril, a desoneração substitui a contribuição previdenciária patronal de 20% por 1% a 2% do faturamento bruto. O presidente da Abimóvel espera que os incentivos contribuam para a recuperação do segmento, que deve faturar R$ 25 bilhões em 2012 - o faturamento do ano passado foi de cerca de R$ 23 bilhões.

A Caixa Econômica Federal não comentou o resultado, mas informou que um primeiro balanço do Cred Móveis será apresentado em agosto.

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