coluna

Carolina Bartunek: ESG, o que eu tenho a ver com isso?

Liquidação parece não ter fim

Ofertas arrasadoras indicam estoque alto e venda fraca

Márcia De Chiara, O Estadao de S.Paulo

28 de março de 2009 | 00h00

As liquidações no varejo parecem não acabar. Desde novembro do ano passado, o brasileiro se depara com ofertas arrasadoras a cada semana. De móveis, eletrodomésticos, eletrônicos, roupas e acessórios a pacotes turísticos, os descontos chegam a 70% e com facilidades de parcelamento.A Fotoptica, por exemplo, inicia no dia 1º de abril um bota-fora de 8 mil itens, com descontos de até 70%. "Queremos desocupar o estoque que está maior neste ano porque incluímos novas grifes", diz a diretora de marketing da rede com 70 lojas, Paula Freire. Hoje a empresa tem uma promoção de vender o segundo óculos por R$ 1. Paula conta que tem uma campanha agressiva de preços planejada para começar após o bota-fora.As liquidações quase permanentes podem ser um indício de estoque alto e venda fraca. "Tem mais promoção porque está difícil de vender", afirma o diretor administrativo e financeiro das Casas Bahia, Michael Klein. Ele observa também que houve uma certa migração para o varejo dos estoques excessivos acumulados pela indústria no último trimestre do ano passado. "A indústria deu condições para o varejo ir comprando", revela.A Casas Bahia encerrou fevereiro com 70 dias de estoques, muito acima do normal, que é ter produtos para 45 dias. A perspectiva, diz Klein, é encerrar março com um volume para 60 dias e retornar para níveis normais só no fim de maio, depois do Dia das Mães. "Continuamos comprando sempre, mas em menores quantidades."Nas Lojas Cem, os estoques hoje são para 50 dias. O supervisor da rede, Valdemir Colleone, diz que o normal no varejo é 40 dias. "Mas 50 dias para nós está ajustado", pondera. Foram exatamente as liquidações desencadeadas por estoques elevados e dificuldades nas vendas que garantiram o surpreendente crescimento de 6% no comércio registrado pelo IBGE em janeiro ante o mesmo mês do ano passado, excluindo veículos e materiais de construção. "Se não tivesse tido tanta liquidação, o desempenho não teria sido atingido", diz o economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Emílio Alfieri. Dados da entidade mostram que o primeiro trimestre está perdido, com queda de 7% nas vendas a prazo e 3% nos negócios à vista ante 2008.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.