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Liquidificadores vendidos no Brasil são inseguros, mostra teste

Avaliação feita pela associação Proteste apontou que 11 de 15 modelos testados acionam o rotor sem que o copo esteja fixado

O Estado de S. Paulo

13 de agosto de 2015 | 15h01

Funcionais, mas pouco seguros. Essa foi a conclusão da associação de defesa do consumidor Proteste ao testar 15 modelos de liquidificador de oito marcas. Na verificação, todos os modelos passaram na avaliação elétrica, mas 11 deles acionaram o rotor mesmo sem o copo estar acoplado à base, o que a associação considera um risco. 

No entanto, apenas dois modelos foram eliminados nas etapas seguintes do teste. Segundo a Proteste, os liquidificadores da marca Oster foram excluídos por "terem lâminas removíveis para limpeza, e não haver qualquer dispositivo de segurança que impeça o funcionamento do motor com as lâminas expostas."

"Os liquidificadores da Oster não são irregulares, pois não há normas nacionais e internacionais que façam essa obrigatoriedade [do motor não funcionar sem o copo estar acoplado], mas é nítido que há um sério risco de lesão ao consumidor, já que não há um sistema de segurança adequado para evitar que as lâminas girem sem o copo", aponta a coordenadora institucional da Proteste, Maria Inês Dolci.

 

Todos os modelos testados são certificados pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), órgão responsável por avaliar a qualidade dos produtos nacionais e dos importados para o Brasil.

Em nota, o Inmetro afirmou que todos os produtos avaliados são seguros quanto aos componentes elétricos, principal requisito da certificação compulsória da portaria 371 (2009), elaborada com base na norma da Comissão Internacional de Eletrotécnica (IEC, na sigla em inglês).

"Esta norma não faz exigência de travamento do motor sem o encaixe do copo na base para os liquidificadores portáteis de uso doméstico, requisito avaliado apenas nos liquidificadores de uso industrial", sinaliza o instituto. 

Oster. Há pouco mais de cinco anos no mercado brasileiro, a Oster é uma marca da empresa norte-americana Jarden Corporation, que existe há 90 anos. Ela se tornou mais conhecida pelos brasileiros ao ter seus produtos divulgados e utilizados no programa Masterchef Brasil, uma competição gastronômica exibida pela Band.

"A Oster tem como prioridade entregar produtos que tenham segurança e qualidade para o consumidor", diz o diretor geral da marca, Alexandre Escorel. Inserida no mercado de diferentes países, a marca afirma que seus liquidificadores atendem às normas internacionais e nacionais para testes e certificações do produto. 

"No Brasil, a gente atende aos requisitos de qualidade e de segurança do Inmetro e, claramente, estamos de acordo com a utilização normal do produto, que o torna apto para realizar as funções básicas de um liquidificador. Por isso, colocamos no manual informações de cuidados que o consumidor deve ter no manuseio. De forma alguma oferecemos risco à segurança do consumidor. Nunca tivemos nenhum problema em relação a algum acidente de um liquidificador nosso." 

Metodologia. De acordo com Maria Inês Dolci, a associação planeja os testes com dois anos de antecedência e com temas escolhidos de acordo com questionários respondidos pelos associados. "Nós vemos as marcas presentes no mercado, identificamos se os produtos estão disponíveis na data de compra para o teste, verificamos a possibilidade de laboratórios e as normas de cada setor." 

Os seguintes itens foram avaliados: ruído, desempenho, facilidade de uso, manual de instruções, resistência do copo à queda, segurança elétrica e mecânica, transbordamento e versatilidade.

Conclusões do teste. Em suas avaliações, a Proteste considerou que o modelo Philips Walita RI2160 foi o melhor liquidificador testado, tendo sido considerado "muito bom" nos requisitos segurança elétrica, desempenho, facilidade de uso, manual de instruções, queda a 86,5 cm e transbordamento. O único item em que foi mal avaliado pela associação foi o ruído, quesito no qual apenas os modelos da Arno tiveram boa avaliação por não ultrapassarem os 75 dB.

Outros dois fatores foram apontados pela associação: só alguns modelos apresentam tampa dosadora e todos têm cabos de energia elétrica inferiores a um metro, medida considerada ideal pela Proteste.

No caso dos liquidificadores Oster, a Proteste afirma no relatório de avaliação que notificou o fornecedor para que faça adequações nos produtos e que solicitou ao Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC) que eles "sejam retirados do mercado até que tenham sido feitas as adequações para que deixem de oferecer perigo ao usuário". 

A associação também encaminhou ao Inmetro um pedido para que seja adotada uma norma exigindo um sistema de segurança nos liquidificadores, a qual impeça o funcionamento quando as lâminas estão expostas.

Em resposta ao Estado, o Inmetro esclarece que "neste momento estão sendo discutidas todas as contribuições recebidas durante a consulta pública de 60 dias, encerrada em maio deste ano, feitas pela sociedade, indústria e entidades representativas para aprimorar o regulamento para liquidificadores. O estudo da Proteste é uma dessas sugestões. O Inmetro publicará, ainda este ano, a portaria complementar com as melhorias neste regulamento."

"Nossa posição não é punir as empresas, é mostrar que elas podem estar no mercado sem causar nenhum tipo de problema", diz a coordenadora da Proteste. 

Veja as respostas das marcas:

Philips Walita

Philips Walita informa que todos os liquidificadores da marca são certificados pelo Inmetro. Com relação aos decibéis, os liquidificadores da marca também possuem selo do Inmetro e atendem às classificações, conforme faixas estabelecidas pela referida portaria.

Eletrolux

A Electrolux informa que o modelo BBR12 possui trava de segurança, que só permite o funcionamento do produto com o copo encaixado na base, enquanto o BBR30 conta com filtro que separa o suco das sementes e é fácil de limpar. Além disso, a empresa cumpre rigorosamente todas as regulações técnicas do Inmetro.

Mondial

A Mondial testa seus produtos junto ao Inmetro e é aprovada e certificada em todos os requisitos das normas IEC - Normas Europeias adotadas no Brasil.

Arno

Em relação aos testes realizados pelo Instituto Proteste com os liquidificadores da marca Arno, modelos Clic'Pro Juice e Novo Faciclic, o Grupo SEB ressalta que desconhece a metodologia utilizada, não sendo possível avaliar cada ponto analisado. A empresa reforça ainda que preza pela qualidade dos produtos e que gostaria de receber a metodologia para entender os resultados obtidos.

Cadence

Informamos que a Cadence desenvolveu a primeira linha de liquidificadores coloridos, com design exclusivo, se baseando nas tendências mundiais e buscando preço acessível para o consumidor comum. 

Britânia e Philco 

Procuradas pelo Estado, não responderam até o fechamento da reportagem.

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