MARINA MALHEIROS/ESTADAO
MARINA MALHEIROS/ESTADAO

Lírio Parisotto é eleito conselheiro da Usiminas

Por falta de consenso, pela 1ª vez, o colegiado da siderúrgica será presidido por um nome não definido pelo bloco de controle

FERNANDA GUIMARÃES e Suzana Inhesta, O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2015 | 02h05

O empresário Lírio Parisotto foi eleito ontem conselheiro da Usiminas, como representante dos acionistas minoritários, em uma assembleia marcada por discussões acaloradas, um batalhão de advogados e interrupções. O resultado, no entanto, provocou controvérsias e contestações, em especial do BTG Pactual, que tinha como indicado ao assento o ex-presidente da TAM Marco Antonio Bologna. O clima espelhou o contexto vivido entre as acionistas Nippon Steel e Ternium, que juntas controlam a siderúrgica mineira e que há mais de um ano estão em pé de guerra.

“Quem está sofrendo com essa briga entre os acionistas controladores, somos nós: os minoritários que estão pagando a conta”, disse Parisotto ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. Segundo ele, um de seus objetivos como conselheiro é tentar fazer com que os controladores da siderúrgica mineira se entendam, destacando que sua missão é de paz. “Quero ajudar os dois lados a chegarem a um acordo, não há condições de manter a empresa saudável com os dois controladores em pé de guerra”, disse, frisando que é acionista da Usiminas desde a época de sua privatização.

Foi definido também ontem o novo presidente do Conselho de Administração da Usiminas, cargo até então ocupado por Paulo Penido. Os minoritários conseguiram eleger Marcelo Gasparino, representante dos minoritários, indicado pela L.Par, fundo que reúne recursos de Lírio Parisotto. Sem consenso, os controladores tiveram de ficar fora da escolha e Gasparino conseguiu ter votos suficientes para ser eleito. 

Como o BTG não conseguiu eleger seu candidato, na hora da votação da presidência do conselho, indicou Rita Fonseca, conselheira indicada pela Previdência Usiminas, mas não conseguiu emplacar o seu nome. Segundo apurou o Broadcast, o nome de Rita já havia sido aventado em reunião prévia dos controladores. 

A Ternium teria colocado à mesa o nome de Rita, proposta, no entanto, que não contou com o apoio da Nippon. Sem o acerto, nenhum signatário do bloco pôde interferir na escolha do nome do presidente. Essa é a primeira vez que o nome do presidente do conselho da Usiminas não vem de decisão do bloco de controle.

Parisotto, indicado pela L.Par, chega pela segunda vez ao conselho da Usiminas. Em 2012, com ajuda de outros acionistas, o investidor havia conseguido um assento no órgão. Ontem, a batalha se mostrou muito mais difícil, mas ao final seu nome ocupa, agora, a vaga que era até outubro do ano passado do fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil (Previ), mas que ficou vaga quando o conselheiro que ocupava o assento renunciou logo após a fundação vender grande parte de suas ações à Ternium.

Tensão. Na assembleia, que durou cinco horas e foi por duas vezes interrompida, os ânimos se exaltaram. Os minoritários, sob o olhar bastante atento dos controladores, tinham uma vaga para preencher e três postulantes. Além de Parisotto, havia o nome do presidente da Associação de Investidores no Mercado de Capitais (Amec), Mauro Cunha, indicado pela acionista Tempo Capital, e Bologna indicado pelo BTG Pactual que, por meio de um fundo de investimento, detém 3% do capital votante da Usiminas, o que lhe garante a posição de segundo maior acionista fora do bloco de controle. Durante a assembleia, quando foi estabelecido que apenas um indicado dos minoritários poderia ser eleito, a L.Par mudou de estratégia e uniu em uma única chapa dos dois nomes, colocando Cunha como suplente de Parisotto.

Parisotto contou com 22.619.646 ações a favor e Bologna com 15.727.933, dando a vitória, assim, ao empresário. O resultado, no entanto, foi fortemente contestado pelo advogado do BTG, já que para essa vitória os votos da acionista Sankyu, com 9.147.100 ações, foram determinantes. A Sankyu é uma companhia japonesa que tem entre seus acionistas a Nippon Steel.

O BTG chegou a entrar há quase duas semanas com pedido na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) solicitando a postergação da assembleia sob o argumento de que houve ilegalidades. Entre elas, o apoio da Sankyu ao pedido para a chamada da assembleia. A Sankyu possui 1,8% das ações ordinárias da Usiminas e argumenta que a Nippon não tem nenhuma interferência em suas decisões.

Justiça. O novo capítulo do imbróglio ficará a cargo da Justiça. É esperado para os próximos dias que seja dado prosseguimento ao julgamento do agravo de instrumento interposto pela Ternium, com o intuito de reconduzir três executivos destituídos desde setembro, incluindo o ex-presidente Julián Eguren, aos seus antigos cargos na Usiminas. 
O agravo começou a ser julgado na última semana de fevereiro pela 10.ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, e ganhou o voto favorável do relator do caso. No entanto, os outros dois desembargadores pediram vistas, ou seja, um tempo maior para analisar o caso, dada a sua complexidade, o que acabou postergando a sua decisão. 

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